A líder militar, Hillary pede defesa dos direitos de todos no Egito

Hillary Clinton e marechal Tantawi Direito de imagem AP
Image caption Hillary Clinton e o marechal Tantawi discutiram ajuda econômica e transição política no domingo

No segundo dia de sua visita ao Egito, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, se reuniu com o líder militar do país, o marechal Mohamad Hussein Tantawi.

Hillary discutiu com ele a transição do poder para o novo presidente, Mohammed Mursi, com quem ela se reunira no dia anterior, e destacou a importância de defender os direitos de todos os cidadãos egípcios.

"A secretária destacou a importância de se proteger os direitos de todos os egípcios, incluindo mulheres e minorias", disse um alto funcionário do Departamento de Estado.

O presidente Mursi e os militares divergem sobre a dissolução do parlamento egípcio, no mês passado.

O Conselho Supremo das Forças Armadas (Scaf, na sigla em inglês) fechou a casa, dominada por aliados islamistas do novo presidente, antes mesmo que ele fosse confirmado no cargo.

Os militares também tiraram do presidente eleito no primeiro pleito aberto e livre no país, em junho passado, várias de suas atribuições.

Mursi, do partido Liberdade e Justiça da Irmandade Muçulmana, tentou reverter a dissolução do parlamento por decreto há uma semana, mas o Supremo Tribunal Constitucional concluiu que a decisão anterior era final.

Como líder do Scaf, o marechal Tantawi se tornou governante interino do Egito depois da queda do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro do ano passado.

Em frente ao hotel que hospeda Hillary Clinton, dezenas de egípcios protestaram contra Mursi e a ajuda militar americana ao país sob sua presidência com palavras de ordem como: "Não queremos que o Hamas governe o Egito".

Transição e diálogo

Um alto funcionário do departamento de Estado americano afirmou que durante o encontro, a secretária discutiu também a transição política e a necessidade de diálogo com o presidente Mursi.

O marechal Tantawi teria mencionado as necessidades econômicas do Egito, durante uma conversa sobre os planos de ajuda dos Estados Unidos.

Depois do encontro com o marechal e outros líderes militares, Clinton vai participar de reuniões na segunda maior cidade do Egito, Alexandria, considerada um reduto da Irmandade Muçulmana.

Na agenda, estão encontros com líderes mulheres, com a comunidade cristã da Igreja Ortodoxa Copta e com jovens empresários.

De lá, ela partirá para Israel.

Direito de imagem AFP
Image caption Hillary Clinton (esq.) conversa com o novo presidente egípcio, Mohammed Mursi, no Cairo

No sábado, Hillary Clinton manifestou apoio ao recém-eleito presidente Mohammed Mursi e pediu que o país mantenha uma transição pacífica rumo à democracia, recomendando que os militares fiquem encarregados apenas da segurança do país.

Em coletiva de imprensa no Cairo, Hillary julgou ser crucial que "os militares retornem ao seu papel único de garantir a segurança do Egito", em clara mensagem ao Conselho Supremo das Forças Armadas (Casf), que pouco antes da nomeação do novo presidente dissolveu o Parlamento e esvaziou o poder Executivo, assumindo ainda papeis legislativos.

Após a reunião com o presidente, ela reiterou o apoio de Washington a uma "transição total a um regime civil", e disse que os egípcios têm o direito de ter o governo pelo qual votaram.

As eleições que deram à vitória a Mohammed Mursi foram as primeiras da História do país e ocorreram mais de um ano após a revolução que derrubou o ex-líder Hosni Mubarak, que governou o Egito com mão de ferro por mais de 30 anos.

"Eu vim ao Cairo para reafirmar o forte apoio dos Estados Unidos ao povo egípcio e à sua transição democrática. Nós queremos ser um bom parceiro e queremos apoiar a democracia que foi atingida por meio da coragem e do sacrifício do povo egípcio", disse.

Mudança

Jon Leyne, analista da BBC no Egito, relembrou que não muitos anos atrás, outro secretário de Estado americano declarou que Washington não conversava com a Irmandade Muçulmana, e que jamais o faria.

Desta vez, no entanto, os EUA, sob a administração de Barack Obama, foram rápidos em se engajar com o novo presidente –aceitando o inevitável e tentando se situar da melhor forma neste cenário.

A Irmandade Muçulmana tem repetidamente reforçado que não quer ser isolada internacionalmente, sobretudo porque o país depende fortemente do comércio exterior e do turismo.

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