Com espaço nobre em Londres, Comitê quer 'vender' Rio 2016

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Image caption Comitê organizador investiu R$ 23 milhões na Casa Brasil

Uma exposição de arte contemporânea brasileira é a primeira oportunidade de ver parte das instalações da Casa Brasil, o espaço do Comitê organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio 2016 em Londres.

A "Casa" ocupa 2,2 mil metros quadrados dentro de Somerset House, um dos centros culturais mais nobres de Londres.

A área brasileira dentro do prédio irá realizar exposições de arte brasileira, shows, mostra de filmes, eventos turísticos e entrevistas coletivas com medalhistas olímpicos durante o período dos Jogos.

O espaço também servirá como local de eventos de equipes de turismo e comércio brasileiras destinados a possíveis investidores na Olimpíada do Rio.

O aluguel custou R$ 23,1 milhões ao comitê organizador do Rio 2016, segundo o presidente Carlos Arthur Nuzman. O valor foi dividido entre os governos municipal e estadual do Rio, que pagaram R$ 2 milhões cada um, e o próprio comitê, que investiu os R$ 19 milhões restantes.

Integração

A criação da Casa Brasil faz parte de um investimento de cerca de R$ 47 milhões do Comitê para divulgar o Rio em Londres, que inclui uma participação de oito minutos na cerimônia de encerramento da Olimpíada de 2012.

Nuzman disse que a apresentação brasileira, que terá bailarinos e músicos como Marisa Monte, Seu Jorge e B Negão, será "integrada" ao espetáculo londrino.

"Oito minutos são muito pouco tempo e o pessoal está fazendo um excelente trabalho. É a primeira vez que os comitês, o COB e o Locog (Comitê organizador dos Jogos de Londres) estão trabalhando juntos", afirmou Nuzman.

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Image caption Espaço mostra modificações previstas para o Rio de Janeiro até os Jogos

O presidente do Rio 2016 disse à BBC Brasil que ainda é cedo para fazer avaliações sobre os erros e acertos da organização e do esquema de segurança em Londres, mas afirmou que a cidade deixará um "excelente exemplo".

"Londres nos ajudou muito, desde a candidatura. Se conseguirmos fazer pela cidade vencedora de 2020 metade do que Londres fez por nós, ficarei muito feliz", acrescentou.

Até a abertura completa do espaço ao público, no dia 27 de julho, será possível visitar somente a exposição "From the Margin to the Edge: Brazilian Art and Design in the 21st Century" ("Da margem ao limiar: Arte e Design brasileiro no século 21", em português) e uma mostra de artesanato de diversas regiões brasileiras.

Mas também já é possível acessar uma área que expõe o planejamento das mudanças no Rio para receber os Jogos Olímpicos e a boutique 2016, primeira loja oficial de produtos da Olimpíada carioca.

'Sem ufanismo'

A exposição de arte contemporânea será aberta ao público na manhã do próximo sábado e ficará em cartaz até o dia 8 de setembro.

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Image caption Exposição traz trabalhos de 33 artistas contemporâneos

A mostra traz um apanhado da produção recente de arte e design no país, com nomes consagrados como Adriana Varejão e Alex Flemming, além do trabalho de novos artistas.

Apesar da ideia de "vender" a produção cultural e artística do Brasil durante o período da Olimpíada de Londres, o curador da mostra, Rafael Cardoso, diz que obras questionadoras também têm lugar. "Não tem nenhum ufanismo nesta exposição. Por acaso entraram algumas bandeiras brasileiras, mas não são bandeiras patrióticas, são bandeiras fragmentadas, de cabeça para baixo. Temos aqui uma tentativa de olhar criticamente para a cultura brasileira. Não para dizer que nós somos superiores, ou melhores ou maravilhosos, mas para pensar a cultura brasileira como diálogo", disse à BBC Brasil.

Na obra de Emmanuel Nassar, uma bandeira brasileira feita em chapas de metal é dividida em quatro pedaços distorcidos e misturados.

Em "Seja marginal, seja herói", o designer Rico Lins criou cartazes com personagens da cultura nacional e internacional como Roberto Carlos, Raul Seixas, Carmem Miranda, James Dean e o personagem mexicano Chapolim.

Edifício histórico

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Image caption Somerset House tem shows e cinema ao ar livre

Somerset House, um dos espaços de cultura e arte mais importantes da capital britânica, é um edifício neoclássico na margem do rio Tâmisa.

O prédio tem espaços de exposições e escritórios de agências, empresas de comunicação e sociedades culturais. Durante o verão, shows e exibições de filmes ao ar livre ocorrem no pátio interno, onde também acontecerá a programação musical da Casa Brasil.

No inverno, o mesmo espaço abriga o principal ringue de patinação no gelo da capital britânica.

A construção atual de Somerset House fica no lugar de um antigo palácio usado por reis e rainhas da dinastia Tudor, que foi demolido em 1775. A casa chegou a ser a moradia da rainha Elizabeth 1ª, antes de sua coroação.

Em meados do século 18, o edifício foi reconstruído em seu formato atual e passou a abrigar diversos escritórios do governo e sociedades acadêmicas, que permaneceram no local até o final do século 20, quando o prédio se tornou um centro de artes visuais.

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