Em meio a 'festa olímpica', ameaças de greve lembram britânicos da crise

Uniforme de oficial de imigração (Foto BBC)
Image caption Oficial de imigração: Setor ameaçava fazer greve em um período de intenso movimento nos aeroportos

A contagem regressiva para as Olimpíadas já começou, mas apesar do clima de festa, uma série de contratempos e más notícias no campo econômico têm impedido os britânicos de esquecer a crise em que o país está mergulhado.

Nas últimas semanas, categorias profissionais importantes para o bom funcionamento dos Jogos têm ameaçado fazer greve - calculando que seu poder de barganha é maior em um momento em que as atenções internacionais estão voltadas para os Jogos.

O objetivo é aumentar a pressão sobre o governo ou sobre seus empregadores para que eles revertam medidas de austeridade adotadas recentemente ou melhorem as suas condições de trabalho e benefícios.

De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas britânico, o PIB do país teve uma queda de 0,7% entre abril e junho. Nos primeiros três meses do ano, a retração foi de 0,3%.

Autoridades dizem que os dados do PIB para o último trimestre podem ter sido prejudicados pelo feriado do Jubileu de Diamante da rainha Elizabeth 2ª. Mas muitos grupos e setores atribuem a recessão às medidas de austeridade adotadas pelo governo, como o enxugamento dos postos de trabalho e benefícios oferecidos pelo Estado britânico.

Entre esses setores, estão alguns dos que ameaçam entrar em greve antes ou durante os Jogos Olímpicos.

'Jogos inclusivos'

Eles pedem uma Olimpíada "mais inclusiva" que beneficie a todos os cidadãos britânicos que têm sofrido com a crise econômica.

Os funcionários do setor de imigração dos aeroportos britânicos só desistiram de cruzar os braços durante os Jogos, segundo seus líderes sindicais, depois que o governo concordou em criar centenas de novas vagas no serviço, nesta quarta-feira, dia 25.

De acordo com a organização trabalhista que representa o setor, a Public and Commercial Services (PCS), seriam abertos 800 postos na agência encarregada do controle das fronteiras britânicas e 300 nos escritórios que fazem o processamento de passaportes. O governo, porém, nega o acordo.

Na terça-feira, funcionários responsáveis pela limpeza do metrô e de alguns trens que chegam em Londres também anunciaram uma greve de dois dias que incluiria a abertura das Olimpíadas para pressionar por aumentos de salários, aposentadorias e benefícios.

"É hora de as companhias de limpeza e o prefeito de Londres, Boris Johnson - que é responsável pela contratação dessas empresas - resolverem essa disputa (com os funcionários da limpeza) para assegurar uma Olimpíada inclusiva, na qual todos podem se beneficiar", disse Bob Crow, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários, Marítimos e do Transporte (RMT - Rail, Maritime and Transport), que representa esse e outros setores.

Recentemente, a RMT também anunciou que os funcionários do metrô se recusarão a fazer hora extra durante as Olimpíadas. Entre os outros setores que nos últimos meses ameaçaram com paralisações durante as Olimpíadas estão o dos motoristas de ônibus, funcionários das ferrovias e taxistas.

Segundo analistas, a chegada de turistas e delegações que acompanham os atletas deve dar um estímulo importante para a economia britânica. O problema é que o alívio será temporário - e os dados sobre a queda do PIB divulgados hoje mostram que o país ainda está longe de retomar uma trajetória de crescimento sustentável.