Após R$ 29 bi e polêmicas, Londres abre sua 3ª Olimpíada em clima de festa

Tocha olímpica em Londres (Foto Press Association) Direito de imagem Press Association
Image caption Tocha olímpica em Londres: cidade está recebendo centenas de milhares de visitantes

Depois de sete anos de planejamento e trabalho árduo, gastos de mais de 9 bilhões de libras (R$ 29 bilhões) e acirradas polêmicas sobre segurança e transporte, a maratona de preparação da terceira Olimpíada com sede em Londres será concluída hoje, em uma espetacular cerimônia de abertura assistida por mais de um bilhão de pessoas em todo o globo.

O resultado de todos esses esforços será colocado à prova a partir desta noite (ou desta tarde, em Brasília) e nos próximos 16 dias, quando mais de 10 mil atletas representantes da nata do esporte mundial competirão em cerca de 300 eventos esportivos, representando 205 países.

A cidade-sede dos Jogos já está em clima de festa - com as ruas enfeitadas com bandeiras dos países participantes e apinhadas de turistas, celebridades, atletas e suas delegações. Desde quarta-feira, algumas partidas de futebol já vêm sendo realizadas - porque a competição exige um calendário maior do que os 16 dias dos jogos.

Calcula-se que centenas de milhares de visitantes passem por Londres para acompanhar as competições e participar dos eventos culturais e sociais realizados em toda a cidade para celebrar a Olimpíada - festivais de teatro, shows de música, performances de dança, exposições e toda a sorte de festas.

Nesta sexta-feira, por exemplo, grupos como Snow Patrol, Stereophonics e Duran Duran fazem um show para dezenas de milhares de pessoas no Hyde Park.

As atenções do mundo estão voltadas para Londres nesse momento - mas as do Brasil em especial, já que o país está envolvido em sua própria corrida para se preparar para a Olimpíada de 2016 e espera "aprender" com os erros e acertos britânicos.

Algumas poucas competições, como vela e remo, ocorrerão em outras cidades, mas o grosso do evento se concentrará na capital. Só no Parque Olímpico, são esperados 250 mil visitantes todos os dias. Em alguns parques da cidade, telões foram instalados para permitir que os visitantes e habitantes de Londres acompanhem os eventos esportivos.

Um total de 8 milhões de ingressos foram colocados à venda para as competições, mas enquanto os mais concorridos - para modalidades esportivas mais populares ou mais baratos - acabaram em um piscar de olhos, o medo dos organizadores é que alguns eventos fiquem com as arquibancadas vazias.

Cerimônia de abertura

Os ingressos para a cerimônia de abertura de hoje foram os mais disputados - principalmente os que custavam menos de 1.000 libras (R$ 3.170). Cerca de 80 mil pessoas verão o show de perto. Algumas, chegaram a pagar 2.012 de libras (R$ 6.300) para garantir o privilégio.

Os detalhes do espetáculo, que começa às 21h locais (17h de Brasília), têm sido guardados como segredo de Estado.

De acordo com o que já foi divulgado pelo Comitê Organizador das Olimpíadas, o show contará com 10 mil figurantes e reproduzirá no Estádio Olímpico uma paisagem rural tradicional da Grã-Bretanha. Seu tema central será a terra que se renova após uma fase industrial.

O cenário incluirá "nuvens" suspensas por cabos de aço sobre o estádio, árvores de verdade, rios, campos, famílias fazendo piqueniques e pessoas praticando esportes em áreas verdes, além de agricultores cultivando o solo.

Ovelhas, cavalos, vacas, cabras, galinhas, patos, gansos e cachorros devem fazer parte da performance, que teria sido inspirada na obra A Tempestade, de William Shakespeare.

Uma das dúvidas que pairam sobre o evento é precisamente como o seu diretor - o cineasta Danny Boyle (que assinou os filmes Quem Quer Ser Milionário e Trainspotting) - fará para sincronizar a ação desse "elenco animal", além da movimentação dos milhares de figurantes, incluindo 900 crianças.

Polêmicas

Desde que foi anunciado que a Olimpíada de 2012 seria em Londres, em 2005, o planejamento e a organização dos Jogos despertaram uma série de polêmicas na Grã-Bretanha.

Com o país mergulhado em sua pior crise econômica em 50 anos e o governo cortando postos de trabalho e benefícios sociais, era previsível que uma dessas polêmicas se centrasse na questão do custo do evento.

A expectativa inicial do governo britânico era gastar 2,3 bilhões de libras (R$ 7,3 bilhões). Ou seja, menos de um terço do que foi desembolsado no final. Só a cerimônia de abertura custou 27 milhões de libras (R$ 85 milhões).

Nas últimas semanas, funcionários do setor de transporte e da agência de imigração vinham ameaçando fazer greve durante os jogos. O objetivo era pressionar o governo a aceitar melhorias em suas condições de trabalho e benefícios, agora que as atenções internacionais estão voltadas para Londres.

Outras polêmicas envolveram a questão da segurança. A empresa contratada pelo governo britânico para cuidar do tema - a G4S - não conseguiu contratar um número suficiente de agentes privados para fazer a segurança dos Jogos.

Na última hora, o governo foi obrigado a mobilizar 3.500 soldados adicionais para trabalhar durante o evento - muitos dos quais estavam no Afeganistão.

Transportes

Também é verdade que nem todos os moradores de Londres estão tão entusiasmados com a Olimpíada. Uma das principais reclamações é que a chegada de tantos visitantes tende a sobrecarregar os meios de transporte da cidade.

As linhas centrais do metrô já estão lotadas - e a situação deve piorar a partir de hoje. Nas estações de trem, os usuários de transporte público recebem panfletos que os aconselham a ir à pé ao trabalho ou fazer turismo "andando".

Também causou polêmica a delimitação de faixas de trânsito exclusivas para a "família olímpica". Um total de 50 quilômetros de vias exclusivas foram reservados para VIPs, atletas, jornalistas, patrocinadores e organizadores dos Jogos.

Para o resto dos moradores da cidade, sobraram imensos congestionamentos.

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