Após derrotas, comissão de judô faz reunião para recuperar moral

Judocas Tiago Camilo (à esq.) e Song Da-Nam (à dir.). (foto: AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Sul-coreano Song Da-Nam derrota o judoca brasileiro Tiago Camilo nas Olimpíadas

O Brasil terminou mais um dia sem medalhas no judô nesta quarta-feira, comprometendo ainda mais a ambiciosa meta da comissão técnica de ganhar em Londres 2012 o maior número de medalhas da história nesse esporte.

Na terça-feira, após a derrota do número um do mundo Leandro Guilheiro, a comissão convocou uma reunião com todos os atletas – os premiados, os já eliminados e os que ainda subirão ao tatame – para tentar levantar o moral dos judocas.

O técnico Ney Wilson disse que a reunião serviu para incentivar judocas como Mayra Aguiar e Rafael "Baby" Silva, que ainda disputam medalhas. A comissão alertou os judocas que o estilo dos brasileiros foi muito estudado pelos rivais, e pediu que os atletas sejam mais versáteis em adaptar seus estilos de luta durante os confrontos.

"Estamos em uma guerra. Não dá para cada um jogar apenas no seu estilo, bonitinho. Cada um tem que fazer a sua lição de casa", cobrou o técnico. O temor maior da comissão era que os judocas ficassem abalados demais com a derrota de Leandro Guilheiro, uma das maiores referências dos atletas e da delegação.

Os judocas Luciano Correa e Maria Suelen Altheman – que não são tidos como favoritos em suas categorias - ouviram na reunião sobre o exemplo de Felipe Kitadai, que também não estava cotado para subir ao pódio, mas acabou com o bronze no sábado.

Após a dramática eliminação de Rafaela Silva, que foi desclassificada por um golpe irregular, a comissão já havia procurado tirar os demais judocas da arena na segunda-feira o mais cedo possível, para evitar que eles se deixassem abalar com o episódio.

O Brasil quer conquistar pelo menos mais duas medalhas em Londres 2012, para superar o desempenho do esporte em Los Angeles 1984 e Pequim 2004. O judô é atualmente o esporte mais premiado entre os esportes olímpicos brasileiros. Na estreia do sábado, além de Kitadai, Sarah Menezes também conquistou uma medalha: a primeira de ouro da história do judô brasileiro.

Tiago

Apesar da reunião de "levantar moral" na terça-feira, Tiago Camilo e Maria Portela não conseguiram subir ao pódio e foram eliminados nesta quarta. A jovem judoca gaúcha, que fazia sua estreia em Olimpíadas, foi derrotada logo na primeira luta. Já o paulista esteve perto de ganhar medalha, ao chegar na semifinal, mas foi derrotado duas vezes consecutivas e acabou sem sequer o bronze.

Na categoria médio (até 90kg), Tiago Camilo começou o dia da melhor forma possível, com um ippon sobre o ucraniano Roman Gontiuk no terceiro minuto da luta. Na segunda luta, o brasileiro já vencia o italiano Roberto Meloni com um yuko (ponto mínimo no judô), quando conseguiu novo ippon e liquidou a luta a um minuto do tempo final.

A luta contra o uzbeque Dilshod Choriev, nas quartas-de-final, foi mais difícil. Camilo só conseguiu vencer graças a duas penalidades dadas a Choriev – uma por falta de combatividade e outra por falso ataque – que acumularam em um yuko para o brasileiro.

Enquanto Camilo avançava, dois favoritos ficavam pelo caminho. O alemão Cristophe Lambert foi derrotado logo em sua luta de estreia. Já o grego Ilias Iliadis, cabeça-de-chave número um do torneio, caiu nas quartas-de-final.

À tarde, na semifinal contra o sul-coreano Dae-Nam Song, Tiago Camilo começou mal, já com um wazari no primeiro minuto. Em seguida, um yuko complicou ainda mais a vida do brasileiro, que precisava praticamente de um ippon para reverter a derrota.

Nos últimos segundos, Song tomou uma segunda punição, rendendo o yuko ao brasileiro, mas o ponto saiu tarde demais, e Tiago Camilo acabou derrotado pelo coreano, que foi medalhista de ouro.

O rival na disputa pelo bronze foi dos mais difíceis: Ilias Iliadis, que venceu o australiano Mark Anthony na repescagem com um dos mais belos ippons do dia, em apenas 39 segundos de luta.

Nos três minutos iniciais, a luta entre Camilo e Iliadis ficou sem pontos ou punições. O grego chegou a levantar Tiago do chão, mas não conseguiu completar o golpe. Tiago perdeu a luta por tomar duas punições – uma por falta de combatividade e outra por postura defensiva.

"Estou feliz que dei meu máximo. Todo mundo treinou, batalhou, mas se perde nos detalhes", disse Camilo, que foi prata em Sydney 2000 e bronze em Pequim 2008.

Ney Wilson avalia que os rivais estão sabendo estudar o estilo brasileiro. No caso de Tiago Camilo e Leandro Guilheiro, os dois brasileiros costumam derrotar os adversários com uma técnica especial de agarrar o quimono que foi neutralizada com eficiência em Londres 2012. O técnico brasileiro disse que o desempenho dos rivais dos brasileiros foi "perfeito taticamente".

Para ele, Leandro Guilheiro é normalmente um atleta versátil que sabe fugir deste tipo de situação, mas em sua derrota na terça-feira ele excepcionalmente não conseguiu se adaptar ao estilo em jogo. Já no caso de Camilo, o técnico disse que o brasileiro sofreu com o wazari logo no começo, contra o sul-coreano Song, e isso dificultou sua capacidade de reação.

Dois minutos

A brasileira Maria Portela, que lutou na categoria de médio (até 70kg), foi eliminada logo na primeira luta. Ela disputou as Olimpíadas de Londres por apenas dois minutos. Logo aos 1m23s, tomou um wazari da colombiana Yuri Alvear, que terminou o torneio com a medalha de bronze. Poucos segundos depois, foi derrotada com um ippon.

"A colombiana era mais alta que eu, e acho que isso foi uma desvantagem. Ela conseguiu me agarrar melhor", disse Portela, após a luta. "Estou muito envergonhada, triste e decepcionada, mas eu treinei bastante. Não sei o que aconteceu, eu me sentia preparada."

Maria Portela, que foi bronze no Pan Americano de 2011, disse que espera poder concorrer no Rio de Janeiro em 2016.

Nos próximos dias, Mayra Aguiar, Luciano Corrêa, Rafael "Baby" Silva e Maria Suelen Altheman terão as últimas oportunidades de cumprir a meta do judô brasileiro em Londres 2012.

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