Londres 2012: Com 'pior' Olimpíada, Robert Scheidt leva bronze e vira maior campeão olímpico do Brasil

Bruno Prada e Robert Scheidt (foto: AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption O velejador falou à BBC Brasil sobre 'orgulho' e 'tristeza' do resultado final em Londres 2012

O velejador paulista Robert Scheidt conquistou neste domingo a medalha de bronze na classe Star nos Jogos de Londres 2012. Foi sua quinta medalha consecutiva em Olimpíadas – o pior resultado de sua vitoriosa carreira olímpica – mas ainda assim se tornou o maior vencedor brasileiro na história dos Jogos.

Scheidt é o único atleta brasileiro a conquistar medalhas olímpicas em cinco participações consecutivas. Ele nunca disputou uma Olimpíada sem subir ao pódio.

O bronze vencido em Londres 2012 aconteceu de forma dramática, em uma regata em que os dois favoritos aos primeiros lugares no pódio acabaram superados pela veterana dupla sueca Fredrik Loof e Max Salminen – que levou o inédito ouro para o país na categoria.

Scheidt e Prada começaram o dia no segundo lugar no ranking da Star, na posição da medalha de prata. Na regata final, eles chegaram em 7º lugar e superaram os favoritos britânicos Ian Percy e Andrew Simpson, mas não conseguiram pontuação suficiente para ultrapassá-los no quadro de medalhas. Os britânicos acabaram com a medalha de prata.

Com o resultado, Scheidt ultrapassou Torben Grael como maior medalhista da história do Brasil. Ambos possuem cinco medalhas olímpicas, mas Scheidt têm dois ouros (Atlanta 1996 e Atenas 2004) e duas pratas (Sydney 2000 e Pequim 2008) – uma a mais que Torben. No entanto, ele não conseguiu seu objetivo que era um ouro na Star – classe que não será mais modalidade olímpica a partir dos Jogos do Rio de Janeiro 2016.

Após a corrida, Scheidt falou à BBC Brasil sobre o orgulho de ser o maior esportista brasileiro de todos os tempos e sobre a tristeza de ter perdido um lugar no pódio na regata final.

Final dramática

O dia começou com otimismo da torcida britânica na cidade de Weymouth. Vários moradores de cidades vizinhas viajaram à Weymouth mesmo sem ingresso na esperança de presenciar duas medalhas olímpicas da Grã-Bretanha. Além de Percy e Simpson na Star, Ben Ainslie também era favorito na classe Finn.

No dia anterior, a Grã-Bretanha tivera seu maior desempenho olímpico em toda a história dos Jogos, conquistando seis medalhas de ouro. No entanto, os torcedores britânicos só puderam vibrar com Ainslie, que conseguiu confirmar seu favoritismo.

Na Star, a torcida passou a maior parte do tempo "secando" a dupla brasileira, que entrou na disputa como concorrente direta ao ouro. A tarefa era difícil para Scheidt e Prada: eles precisavam se classificar quatro posições à frente dos britânicos e apenas uma posição atrás dos suecos.

Desde a largada, as atenções do público eram para o duelo entre Scheidt/Prada e Percy/Simpson.

Scheidt e Prada não tiveram um bom começo, e na virada da primeira marca, estavam em oitavo lugar, com os britânicos em quinto lugar. Enquanto isso, a dupla sueca disparou na frente, assumindo a liderança.

Os brasileiros tentaram uma estratégia diferente dos demais competidores, procurando um percurso distante dos demais rivais, que andavam todos juntos. O percurso deu resultado por pouco tempo, e Scheidt e Prada só conseguiram ficar a frente dos britânicos por um breve intervalo.

Mas foi suficiente para que Percy e Simpson voltassem suas atenções para os velejadores brasileiros, tentando andar na frente de ambos e bloqueando o vento que chegava ao barco de Scheidt e Prada. Enquanto brasileiros e britânicos oscilavam entre a quinta e oitava posição, Loof e Salminen seguiam na frente, ameaçados apenas pela dupla da Nova Zelândia.

Após 32 minutos de regata, os suecos cruzaram a linha de chegada em primeiro lugar, mas sem saber sua posição no pódio. Naquele momento, os britânicos ainda estavam em sexto – posição que os colocaria no topo do pódio – mas acabaram ultrapassados nos instantes finais por Scheidt e Prada e pela dupla norueguesa.

Emoção

Ao final da prova Robert Scheidt conversou com a BBC Brasil sobre a estratégia usada na prova e sobre a emoção de ser o maior medalhista olímpico da história do Brasil.

BBC Brasil: Vocês tinham uma tarefa muito dura hoje para conseguir lutar pelo ouro. Qual foi a estratégia que vocês adotaram na corrida?

Robert Scheidt: Hoje tínhamos uma previsão meteorológica de o vento entrar mais pelo lado esquerdo da raia, então optamos por largar por ali, mas infelizmente o vento logo depois da largada foi um pouco para a direita, e os suecos se beneficiaram disso. Eles cruzaram na frente e já ficamos em uma posição complicada na regata, e a partir daí não tivemos muitas oportunidades de recuperar, porque a regata é muito curta.

BBC Brasil: Houve algum momento em que vocês tiveram uma chance de brigar por uma medalha melhor na regata?

Robert Scheidt: Nós tínhamos que chegar não só em frente aos britânicos, como também colocar três barcos de distância entre nós. Não bastava ultrapassá-los. No final, nós até ganhamos a regata deles, mas precisávamos dos três barcos. Eu já estava preocupado com os suecos que estavam ganhando a regata.

É uma regata curta, e no momento em que você está atrás não sobram muitas opções, porque você tem barcos indo para um lado, para o outro, e é difícil achar espaço para recuperar.

BBC Brasil: Qual é o sentimento de você em relação a essa medalha?

Robert Scheidt: Tenho muito orgulho. Estou muito feliz por chegar à quinta medalha olímpica. Acho que é uma grande conquista. Claro que um pouco triste por perder uma posição hoje, mas feliz por poder voltar para casa com uma medalha olímpica.

BBC Brasil: Você acredita que vimos hoje a última regata da classe Star em Olimpíadas na história?

Robert Scheidt: Não, eu acho que ainda vamos ter mais uma olimpíada no Star.

Notícias relacionadas