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Londres 2012: Entrega da bandeira Olímpica para o Rio terá 'samba de gringo'

Estrangeiros de várias nacionalidades irão sambar na cerimônia de encerramento dos Jogos de Londres 2012 no próximo domingo, 12 de agosto.

A exibição da dança brasileira fará parte do evento de oito minutos organizado pelo comitê Rio 2016 que será apresentado após a entrega da bandeira olímpica de Londres para a cidade brasileira, no final da cerimônia no Estádio Olímpico.

Segundo os organizadores dos Jogos do Rio, a apresentação deve mostrar o Brasil como "o país do abraço multicultural" e contará com a participação de estrelas como Marisa Monte, Seu Jorge, o rapper B Negão e a modelo Alessandra Ambrósio, entre outros.

A direção artística é do cineasta Cao Hamburger e da cenógrafa Daniela Thomas.

Escolas de samba e grupos de percussão de diversas cidades da Grã-Bretanha foram convidados a participar e cerca de 800 dançarinos voluntários passaram por um processo de seleção para a cerimônia. Apenas 31 dos selecionados são brasileiros.

Image caption Dançarinos selecionados fizeram teste com coreografias complexas

Os ensaios começaram em julho e a apresentação está sendo mantida em segredo absoluto, mas a BBC Brasil contactou três dos dançarinos, que vêm da Bulgária, da Grã-Bretanha e de Portugal.

Segundo eles, o samba, brasileiro por nascimento, é hoje um "cidadão do mundo".

Responsabilidade

A búlgara Ivelina Dzhantova, de 30 anos, e a portuguesa Orkídea Lima, de 29 anos, dançarão em uma ala de passistas. Já o britânico Chris Bicourt, de 35 anos, vai dançar na ala da gafieira, integrada por dez casais.

Lima contou que os testes de seleção foram difíceis, com coreografias intrincadas que os candidatos tinham de aprender rápido. "Mas a atmosfera era muito boa", afirmou. Formada em arquitetura, ela descobriu o samba há quatro anos.

Os dançarinos falaram de seu grande orgulho em participar da cerimônia de encerramento das Olimpíadas.

"Acho um privilégio participar dos Jogos Olímpicos, dançando o que for. E dançando o samba, então, é uma loucura, o culminar de muitos anos de estudo", disse a portuguesa.

"Passar a bandeira de Londres, onde eu vivo, para o Brasil que me diz tanto e é tão querido, é muito emocionante."

Mas ela admite que vai ficar nervosa. "A responsabilidade é grande. Não pode dar errado, tem que dar certo!"

A búlgara Dzhantova, que trabalha como babá, começou a aprender samba em Londres, há cinco anos, antes de viajar para o Brasil em férias.

"É no samba que eu me expresso", diz. Hoje, ela tem seu grupo de samba, o Simply Samba, com cerca de dez dançarinos.

Eles se apresentam em eventos na Grã-Bretanha e no exterior, em festivais de música europeus e também acompanham bandas.

Image caption Orkídea Lima: 'É o culminar de muitos anos de estudo'

"Muitos brasileiros que dançam em Londres me procuram para trabalhar com eles", conta. "Da primeira vez que fizeram isso, achei um grande elogio, eles gostarem do meu samba."

A italiana Lara Bellini vai dançar na cerimônia de encerramento da Paraolimpíada de Londres 2012.

"Conheço várias mulheres, britânicas e de várias nacionalidades, executivas, poderosas, que são totalmente dedicadas ao samba", disse Bellini, que trabalha para a Rádio 3 da BBC.

'Samba é como uma família'

O inglês Chris Bicourt, que trabalhou como guia turístico no Brasil, disse, no entanto, que nem sempre os brasileiros são tão generosos com os "gringos" no samba.

"Alguns brasileiros aqui em Londres criticam a gente, dizem que a gente não tem a ginga."

"Mas o mesmo amor que um mangueirense sente por sua escola, a gente sente pela nossa", diz Bicourt, segundo mestre-sala da escola de samba londrina Paraíso."Somos novinhos nessa cultura, mas compartilhamos o mesmo amor."

Ele acha que, em certo aspecto, sua paixão pelo samba é mais pura e desinteressada do que a de muitos brasileiros.

"O samba aqui em Londres é menos comercial do que no Rio, onde os desfiles viraram um grande negócio. Aqui há um respeito maior pela cultura, pela história e pela tradição do samba."

Bicourt é artista gráfico, mas está desempregado. Ele diz que o samba o ajuda a superar essa etapa difícil de sua vida e a não cair em depressão.

"O samba ajuda muita gente, ele é como uma família. As escolas são comunidades, são um sistema de apoio muito importante. Embora não moremos no morro ou na favela, viajamos de diversas partes de Londres para nos integrarmos à nossa escola."

No dia da festa de encerramento, quando os olhos do mundo inteiro estiverem conferindo a ginga do inglês na passarela londrina, também é na música que ele confia. "O samba vai me levar", afirma.