Desabrigados dormem em parques e ruas em cidade traumatizada por tremor no Irã

Atualizado em  15 de agosto, 2012 - 10:15 (Brasília) 13:15 GMT
Desabrigada (Foto AP)

Desabrigada em Varzaqan: sem perspectivas

Mesmo se você não souber o caminho, basta seguir comboios de caminhões com suprimentos doados por diversas regiões do Irã.

São 1h15 em Tabriz, a cidade grande mais próxima aos vilarejos atingidos pelos recentes terremotos que mataram 250 pessoas e feriram mais de 2 mil no último sábado no Irã.

A cidade inteira está acordada - lojas, restaurantes e cafés estão abertos, mas ninguém sorri.

Horas antes, um outro terremoto de magnitude 5,3 sacudiu a região e os moradores de Tabriz estão em estado de choque.

Centenas de famílias armaram tendas nos parques e ruas da cidade para se abrigar, apesar do frio intenso que faz à noite nessa região do Irã.

O Crescente Vermelho colocou em um estádio de futebol mais de 16.000 desabrigados que perderam ou têm medo de voltar para suas casas.

Segundo Heidar, que trabalha na equipe de buscas dessa organização, todos os que estão dormindo em tendas têm cobertores.

Pequenos grupos de pessoas se reúnem por toda parte para falar sobre suas perdas - de um amigo, de parentes ou de suas casas e carros.

Ninguém parece querer dormir.

Buscas

Varzaqan, perto de Tabriz, foi um dos epicentros dos terremotos do sábado.

As buscas por sobreviventes foram intensas nos dias seguintes ao tremor, mas nas últimas horas as equipes de resgate interromperam suas atividades - ou ao menos reduziram seu ritmo de trabalho, já que alguns grupos ligados ao Crescente Vermelho e a Guarda Republicana islâmica ainda estão vasculhando a área com cães farejadores e helicópteros.

Há quem acredite que possam haver mais corpos e vítimas em áreas remotas.

"Eu conheço a área como a palma da minha mão. Existem alguns vilarejos que ninguém pode acessar, exceto seus residentes", diz uma moradora de Tabriz que se identifica como Alireza. "Não deveriam ter cancelado as operações de busca ainda."

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