ONG Survival volta atrás sobre rumores de massacre ianomâmi na Amazônia

Atualizado em  12 de setembro, 2012 - 12:25 (Brasília) 15:25 GMT
Índios ianomâmi na Amazônia brasileira

Ianomâmis vivem na região amazônica do Brasil e da Venezuela

A ONG Survival International, que havia pressionado a Venezuela a investigar os rumores de um massacre da tribo indígena ianomâmi na Amazônia, voltou atrás e disse, nesta terça-feira, que provavelmente não houve um massacre na aldeia.

Os rumores do ataque começaram em agosto, quando a entidade criticou fortemente o possível massacre de até 80 índios ianomâmis por garimpeiros ilegais, que teriam invadido a região para extrair ouro de minas.

As autoridades venezuelanas informaram que uma equipe de investigadores foi enviada à floresta e não encontrou corpos nem qualquer outra evidência de um ataque.

A chacina teria acontecido na comunidade remota de Irotatheri, localizada próxima à fronteira com o Brasil.

A Survival divulgou relatos de organizações ianomâmis que detalhariam como os garimpeiros ilegais incendiaram uma oca da aldeia e como as testemunhas disseram ter encontrado os corpos queimados.

"Após ter recebido o testemunho de fontes confidenciais, a Survival International agora acredita que a aldeia ianomâmi de Irotatheri não foi atacada por garimpeiros", disse Stephen Corry, diretor da Survival International.

Tensões

"Alguns ianomâmis da área, onde muitos garimpeiros ilegais estão atualmente operando, tinham ouvido relatos de um massacre em julho, e isso foi relatado, por alguns, como tendo ocorrido nesta aldeia", afirmou.

"Atualmente, não sabemos se esses relatos foram provocados por um incidente violento, que é a explicação mais provável, mas a tensão permanece elevada na área", acrescentou.

O governo venezuelano afirmou que as equipes enviadas para investigar os relatos não acharam evidências do ataque.

Ativistas que defendem os índios alegaram, entretanto, que as autoridades da Venezuela poderiam não ter encontrado a comunidade em questão, localizada em uma floresta remota.

Jornalistas foram levados à área na última sexta-feira e sábado, onde índios ianomâmis afirmaram não ter havido qualquer ato de violência.

"Ninguém foi morto aqui", um índio ianomâmi afirmou a um tradutor. "Aqui estamos todos passando bem".

Ouro

Segundo observadores, região é alvo da ação de garimpeiros ilegais desde os anos 1980

O número de ianomâmis é estimado em 30 mil e suas comunidades se localizam na fronteira entre o Brasil e a Venezuela.

Os ianomâmis lutam há décadas contra a presença de garimpeiros de ouro na região, acusando-os de destruir a floresta e introduzir doenças.

Nos últimos anos, a valorização da cotação do ouro nos mercados globais tem levado a um crescimento de minas ilegais em muitas partes da Amazônia.

A Survival reivindicou às autoridades da Venezuela que ampliem o controle sobre as terras ianomâmis de modo a impedir a invasão de garimpeiros.

Os militares do país que foram destacados para um vilarejo Irotatheri afirmaram que não acharam sinais de atividade de mineração na área.

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