Combates entre governistas e milícias matam ao menos 4 na Líbia

Atualizado em  22 de setembro, 2012 - 07:49 (Brasília) 10:49 GMT
Militantes pró-governo durante ataque contra sede de milícia (

Ação contra sedes de milícias uniu tropas do governo e manifestantes

Pelo menos quatro pessoas foram mortas na cidade de Benghazi, na Líbia, após tropas do governo e manifestantes governistas terem atacado bases mantidas por milícias islâmicas.

A onda de violência se deu após um dia de protestos em que cerca de 30 mil pessoas foram às ruas de Benghazi exigindo o fim da ação dos grupos armados.

As bases atacadas incluem o quartel general do grupo islâmico Ansar al-Sharia, suspeito de envolvimento no ataque contra o consulado americano em Benghazi, que matou o embaixador dos Estados Unidos, Chris Stevens, e outras três pessoas, em 11 de setembro deste ano.

O ataque, no qual o consulado foi incendiado, foi desencadeado por um vídeo amador realizado nos Estados Unidos que ridiculariza o Islã e o profeta Maomé.

O grupo fundamentalista nega envolvimento na ação contra a representação diplomática americana.

'Al Qaeda nunca mais'

Segundo testemunhas, simpatizantes da milícia Ansar al-Sharia se reuniram do lado de fora da sede do grupo, agitando as bandeiras e dando disparos para o alto, para tentar conter a invasão dos policiais e dos ativistas governistas.

A base foi cercada por uma multidão de pessoas que gritava dizeres como ''não às milícias'' e ''Al Qaeda nunca mais''. Durante os confrontos, diversos automóveis nas ruas foram incendiados.

As duas facções teriam lançado foguetes e trocado tiros por duas horas, até que a milícia decidiu se retirar do local.

Benghazi foi palco de protestos antimilícias que reuniram milhares de pessoas (AP)

Benghazi foi palco de protestos antimilícias que reuniram milhares de pessoas

Os ativistas em seguida atearam fogo a um dos edifícios centrais do QG miliciano e pilharam um depósito de armas.

A Ansar al-Shariah é uma das milícias extremistas islâmicas que ganhou força no país durante a guerra civil que pôs fim ao regime de Muamar Khadáfi, há quase um ano. O grupos costuma promover ataques contra os muçulmanos que não acatam os seus preceitos extremistas.

O governo interino líbio tem sofrido crescente pressão para conter a ação de milicianos e para obrigá-los a depor armas.

Alguns destes grupos são acusados de terem ligação com representantes do governo interino, como a Brigada Sahaty, que teria laços com o Ministério da Defesa do país.

Onda de protestos

Nos últimos dias, diversos países islâmicos realizaram protestos de rua contra o filme americano que satiriza o Islã e o profeta Maomé.

Na sexta-feira, ao menos 19 pessoas foram mortas durante combates no Paquistão, travados entre ativistas e a polícia, que tentava impedir que os manifestantes atacassem representações diplomáticas dos Estados Unidos.

O governo dos Estados Unidos pediu que cidadãos americanos não viajassem para o Paquistão. E a TV paquistanesa exibiu anúncios pagos nos quais o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, condenam o filme supostamente ofensivo ao Islã.

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