Morre último homem fluente em dialeto de pescadores da Escócia

Atualizado em  3 de outubro, 2012 - 04:48 (Brasília) 07:48 GMT
Foto: Wikimedia Commons

A cidade de Cromarty tem pouco mais de 700 habitantes

O último falante nativo do dialeto de pescadores de Cromarty morreu, selando o fim de uma língua que teria se desenvolvido na região por volta do século 15.

O engenheiro aposentado Bobby Hogg, 92, era a última pessoa ainda fluente no dialeto, usado em partes da Black Isle, no extremo norte da Escócia.

Seu irmão mais novo, Gordon, também foi um falante nativo. Ele morreu em abril do ano passado, aos 86 anos.

Acredita-se que o dialeto chegou à área com famílias de pescadores vindas do estreito de Forth, próximo a Edimburgo, nos séculos 15 e 16.

As famílias eram tidas como descendentes de pescadores noruegueses e holandeses.

Em 2009, a pesquisadora Janine Donald compilou um livro de palavras e frases do dialeto de Cromarty para o projeto de preservação da cultura celta das Highlands.

A iniciativa, que envolveu gravação de conversas entre os irmãos Hogg, era parte de um esforço para preservar o dialeto no qual, como em outros dialetos britânicos, como o Cockney, e também línguas latinas, não há a pronúncia do "h" em palavras como "house" (casa) ou "heat" (calor).

A publicação de 40 páginas também traz expressões tradicionais referentes ao tempo, à Bíblia e a contos e costumes locais.

Nela, há palavras como "tumblers", para golfinhos, e frases como "At now kucka", para uma saudação amigável.

Outras palavras e frases incluídas são "bauchles", que significa sapato velho, "droog-droogle", para o trabalho pesado ou tempo chuvoso, e "Muck Jenny", um trabalhador rural do sexo feminino.

No início deste ano, o Conselho das Highlands se comprometeu a reconhecer e proteger as línguas e dialetos da região.

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