Fabricantes apostam em brinquedos hi-tech para ampliar vendas no Natal

Atualizado em  17 de outubro, 2012 - 05:34 (Brasília) 08:34 GMT
Furby (Foto divulgação)

Furby 'aprende' ao interagir com a criança

Houve um tempo em que petecas, piões de corda ou iô-iôs coloridos representavam a vanguarda das diversões infantis. Já fazem algumas décadas, porém, que todos os anos os brinquedos ficam mais tecnológicos - e este Natal não deve ser diferente.

Algumas das novidades lançadas pelos fabricantes para atrair a cobiça das crianças são versões mais modernas de brinquedos do passado.

Um exemplo é o Furby, lançado pela primeira vez em 1998 e que chegou a vender 40 milhões de unidades em todo o mundo.

Trata-se de um pequeno robô que "aprende" conforme interage com o dono. A versão inicial tinha olhos com sensores infravermelhos e podia repetir - ou "aprender" - algumas palavras.

Na época, o governo dos EUA chegou a proibir os brinquedos nos escritórios da Agência de Segurança Nacional temendo o vazamento de informações secretas.

A versão 2012 do Furby tem duas pequenas telas de LCD no lugar dos olhos. O corpo tem mais motores e sensores e vem acoplado a um smartphone e um aplicativo de tablet, o que permite às crianças uma experiência ainda mais interativa.

"O Furby foi reiventado com uma tecnologia avançada que permite às crianças brincarem de uma forma diferente", explicou o porta-voz da Hasbro, a empresa responsável pelo brinquedo.

"A 'personalidade' de cada Furby parece evoluir de acordo com a forma com a qual as crianças brincam com ele, e as ações e reações imprevisíveis fazem com que cada Furby seja um brinquedo único, disse ele."

Realidade ampliada

Quebra-cabeças virtual (Foto Divulgação)

Novo quebra-cabeças: imagem ganha vida

Outra empresa que tem aproveitado esse filão de brinquedos hi-tech é a WowWee, com sede em Hong Kong. Seu maior sucesso de vendas é o App Gear, uma série de jogos que se utilizam do que é conhecido como "realidade ampliada" - a combinação de elementos da realidade real com elementos de uma realidade virtual.

Como resultado, o jogador pode lutar contra um ataque de zumbis ou alienígenas em sua sala de estar, com um smartphone ou tablet.

Outro brinquedo que está sendo reinventado é o quebra-cabeças, uma especialidade da empresa alemã Ravensburger desde 1884.

A empresa lançou alguns quebra-cabeças 3D, mas não conseguiu competir com a popularidade dos games virtuais, como explica seu gerente, Benn Bramwell:"Foi difícil replicar o jogo em um computador. Há algo da experiência de montar as peças pessoalmente que não pode ser recriado."

A solução foi também lançar mão de recursos da realidade ampliada. E o resultado é um quebra-cabeças que "ganha vida" diante da frente da criança quando a última peça é encaixada.

"Esses brinquedos são impressionantes e é isso que as crianças querem hoje em dia, porque elas estão cada vez mais conectadas e acostumadas a essas novas tecnologias", diz John Baulch, editor da revista britânica especializada em brinquedos Toy World.

Tablets

Tablet Kirio (Foto Divulgação)

Tablet Kirio: revestimento de borracha

Outro mercado que vem crescendo é o de tablets para crianças. "Criamos esse produto para que pudéssemos reaver nossos tablets adultos de volta", brinca Tracey Devine, diretor de marketing da InspirationWorks, fabricante do tablet infantil Kurio.

"Gostemos ou não, o fato é que crianças de apenas dois anos de idade já estão brincando com esses aparelhos. Desenvolver uma versão especial para os pequenos faz com que seu uso seja mais seguro."

Por fora, os tablets infantis são bem diferentes dos aparelhos dos adultos, com um revestimento de borracha que lhes permite resistir melhor a impactos.

Os aplicativos e sistemas operacionais, porém, são parecidos. O Kurio, por exemplo, usa o android Ice Cream Sandwich, da Google - o mesmo usado em alguns modelos de tablets adultos da Samsung.

A diferença é que nos tablets infantis os pais podem desativar o uso da internet, ou criar uma lista de sites bloqueados.

Também existem alguns esquemas de bloqueios pré-definidos de acordo com a idade da criança - que impedem o uso de redes sociais para menores de 12 anos, por exemplo.

Além disso, é possível programar o tablet para desligar automaticamente na hora em que a criança deveria ir dormir.

O mercado de tablets infantis está se tornando tão competitivo, que há até uma disputa relacionada a questões de patentes - com o fabricante Fuhu processando a loja de brinquedos Toys R Us por supostamente ter copiado suas ideias.

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