Funeral atrai milhares em Beirute

Atualizado em  21 de outubro, 2012 - 11:02 (Brasília) 13:02 GMT
Funeral em Beirute / AFP

Milhares compareceram à Praça dos Mártires de Beirute para o funeral deste domingo

Milhares de libaneses foram às ruas de Beirute neste domingo para o funeral do chefe da agência de inteligência do país, que foi morto na sexta-feira em um violento atentado na capital.

O correspondente da BBC em Beirute, Wyre Davis, disse que o funeral de Wissam al-Hassan e de seu guarda-costas pode se tornar um ato de protesto da oposição do país, que culpa a Síria pelo atentado. Alguns compareceram ao funeral portando bandeiras libanesas e faixas contra o presidente sírio, Bashar al-Assad.

O número de pessoas que compareceram à manifestação na Praça dos Mártires, onde acontece o velório, parece menor do que o previsto pelos oposicionistas inicialmente, segundo Davis.

Muitos temem que a violência na Síria – que começou em março do ano passado, com tentativas de insurgentes de derrubar al-Assad – possa se espalhar agora para o Líbano, onde a população está dividida em relação ao conflito.

O Exército da Síria esteve presente no Líbano por 29 anos, até 2005. Além disso, historicamente o Líbano virou palco de conflitos violentos influenciados por eventos nos países ao seu redor, como Síria e Israel.

"Nós estamos aguardando a queda do regime sírio. Até que isso aconteça, não poderá haver paz no Líbano", disse à BBC uma das manifestantes que compareceu ao funeral de al-Hassan neste domingo.

Segurança

O presidente libanês, Michel Suleiman, e o premiê Najib Mikati deram início aos serviços fúnebres na sede das Forças de Segurança Internas do Líbano, onde o caixão de al-Hassan foi levado no começo do dia.

O prédio, na vizinhança de Ashrafiya, fica perto de onde ocorreu o atentado de sexta-feira, realizado com carro-bomba. Outras sete pessoas morreram na explosão.

A esposa e os filhos de al-Hassan viajaram de Paris para o funeral. Eles estavam vivendo no exterior, como medida de precaução pela sua segurança.

A segurança foi reforçada em toda a capital libanesa neste domingo. No sábado, diversos manifestantes foram às ruas e incendiaram pneus, montando barricadas em alguns pontos de Beirute.

O ex-chefe do serviço de inteligência do Líbano tinha 47 anos e era ligado ao grupo 14 de março e à família Hariri, dois dos principais opositores da Síria no Líbano.

O corpo de al-Hassan será enterrado ao lado do de Rafik Hariri, o premiê libanês que foi assassinado também em um atentado em 2005. Al-Hassan liderou uma investigação sobre este ataque que incriminou o regime sírio.

Saad Hariri, filho de Rafik e líder da oposição libanesa, participa do funeral deste domingo. Ele pediu que a presença de "todo o Líbano, que Wissam al-Hassan protegeu contra os complôs de Bashar al-Assad".

O episódio provocou uma crise política no governo libanes. No sábado, o premiê Mikati colocou seu cargo à disposição, mas foi mantido pelo presidente Suleiman.

O grupo Hezbollah, aliado da Síria, condenou o atentado de sexta-feira.

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