Após Sandy, brasileiros falam sobre angústia e reclamam de voos cancelados

Atualizado em  30 de outubro, 2012 - 21:00 (Brasília) 23:00 GMT
Erika da Fonseca / Caio Quero, BBC Brasil

Por causa de tempestade, Erika da Fonseca teve de deixar hotel e procurar outro às pressas

A tempestade pós-tropical Sandy, que deixou um rastro de destruição em diversas partes do nordeste dos Estados Unidos entre a noite da última segunda-feira e a madrugada desta terça, surpreendeu parte dos turistas brasileiros que visita a cidade, fazendo com que muitos passassem momentos de angústia e apreensão.

Agora, após o fim da tormenta, alguns têm que lidar com custos inesperados e dificuldades para retornar ao país.

Embora não tenha sofrido com as inundações e a falta de energia elétrica que ainda afetam boa parte dos habitantes de Nova York, a médica Erika da Fonseca foi obrigada a deixar seu hotel e procurar outro às pressas.

Seu voo de volta ao Brasil, que estava previsto para sair na segunda-feira, foi remarcado para a próxima sexta. Sem poder estender sua estadia, ela teve que pedir a parentes no Brasil que fizessem reserva em outro hotel.

"Acabou o clima, agora estou com medo. Quero voltar para casa", disse Erika, enquanto saía com suas malas de um hotel nas proximidades da Times Square, um dos principais pontos turísticos de Manhattan e uma das poucas áreas da cidade que não sofreram com falta de energia elétrica.

A médica conta que soube que a tempestade atingiria a cidade apenas no final da tarde de domingo, quando leu um aviso na porta de uma loja que acabara de fechar.

Repórter relata cenário de caos em NY após passagem do Sandy

Cidade viveu momentos de tensão com ruas inundadas, falta de transporte e energia.

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"Aí fomos a um mercado para comprar comida e água", explicou Erika, que passou a maior parte da segunda-feira dentro do quarto do hotel junto com sua mãe.

"Não percebi nada do furacão, só à noite que ouvi muito baralho", acrescentou.

Contradição

Embora boa parte da cidade ainda esteja sofrendo com as consequências da tempestade e o sistema de transporte público esteja totalmente inoperante, a região de Midtown, uma das preferidas dos turistas, estava movimentada no início da tarde desta terça-feira. Exceto por sirenes e algumas grandes lojas fechadas, poucas coisas lembravam o furacão Sandy.

Visitantes aproveitaram os períodos sem chuva para tirar fotos e passear pela Times Square. Em cafés e restaurantes, no entanto, clientes e pedestres acompanhavam com atenção o noticiário televisivo.

Poucas horas antes, no entanto, o clima entre alguns turistas brasileiros hospedados na região era de "angústia" e "apreensão".

"A gente não tinha noção do que ia acontecer. Teve uma hora que eu só chorava, quando disseram que o furacão estava próximo", disse a funcionária pública Carolina Ferreira, que mora em Salvador.

Ela, o marido e um grupo de amigos também passaram a maior parte da segunda-feira no hotel, saindo apenas para ir comprar garrafas de água, que estocaram para o caso de uma emergência. “Eu nunca tinha visto um vento desses”, afirmou.

Custos adicionais

O grupo também teve que arcar com custos inesperados de estadia após seu voo de retorno ter sido cancelado.

"O voo ia sair segunda, mas foi cancelado. Conseguimos remarcar para quarta, mas já recebemos notícia que foi cancelado, agora estamos tentando remarcar de novo", disse Marcelo Silva, marido de Carolina.

A tempestade também causou o cancelamento de shows, musicais e o fechamento de parques, museus e outros pontos turísticos.

Carolina Ferreira / Caio Quero, BBC Brasil

Carolina Ferreira (1ª à dir.) contou que chorou quando tempestade se aproximou de Nova York

"É horrível, a nossa programação era retornar. Estamos pagando hotel a mais e não está podendo entrar em lugar nenhum, não estamos podendo assistir a show nenhum, não estamos podendo fazer nada", disse Carolina.

Em outras áreas da cidade, o cenário era bastante diferente. Enquanto boa parte do sul de Manhattan e regiões do Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island estavam sem energia e sofriam com alagamento, lugares menos atingidos, como o Upper West Side, também registravam grandes árvores caídas e carros amassados.

O caos nos transportes públicos impediu muitos negócios de abrir nesta terça-feira.

O restaurante de cozinha brasileira Ipanema, que fica na rua 46, conhecida como Little Brazil, teve de permanecer fechado porque os 17 funcionários brasileiros não conseguiram chegar ao trabalho.

"Muitos moram no Queens e no Brooklyn e não havia transporte", disse o português Jorge Saúde, gerente do local, que acompanhava as notícias em uma televisão no restaurante vazio.

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