Dilma critica 'Economist' por sugerir demissão de Mantega

Atualizado em  7 de dezembro, 2012 - 17:05 (Brasília) 19:05 GMT
Dilma Rousseff / Agência Brasil

Dilma Rousseff subiu o tom contra revista Economist, que sugeriu demissão de Mantega

A presidente Dilma Rousseff criticou nesta sexta-feira um artigo recente da revista britânica Economist que sugeriu a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmando que ele teria perdido "a confiança dos investidores".

"Em hipótese alguma o governo brasileiro, eleito pelo voto direto e secreto brasileiro, vai ser influenciado por uma opinião de uma revista que não seja brasileira", afirmou a presidente, durante a 44ª Cúpula do Mercosul, realizada em Brasília.

"Diante dessa crise gravíssima pela qual o mundo passa com países tendo taxas de crescimento negativas, escândalos, quedas de bancos, quebradeiras, nunca vi nenhum jornal propor a queda de um ministro", reclamou Dilma.

Em sua última edição, a Economist publicou um artigo defendendo que, caso queira se reeleger, Dilma deveria demitir Mantega. Segundo a revista, nos últimos meses, o ministro perdeu a confiança dos investidores ao prever taxas de crescimento que ficaram longe de serem cumpridas.

A publicação disse ainda que o governo brasileiro não tem sido capaz de estimular investimentos e que suas sucessivas intervenções no mercado deixaram os empresários receosos.

A revista defendeu a nomeação de uma nova equipe para a área econômica, "capaz de reconquistar a confiança" do mercado.

Para Dilma, porém, a economia brasileira não inspira tantas preocupações. Irritada, ela comparou a situação local à dos principais países afetados pela crise mundial:

"Vocês da imprensa brasileira não sabem que a situação deles é pior do que a nossa? Pelo amor de Deus! Nenhum banco como o Lehman Brothers quebrou aqui, não temos dívida soberana", afirmou a presidente.

Segundo Dilma, a economia brasileira - que cresceu 0,6% de julho a setembro deste ano em comparação com os três meses imediatamente anteriores - vai continuar a se expandir no último trimestre.

"Então a resposta é: de maneira alguma levarei em consideração essa, digamos, sugestão (a demissão de Mantega)."

No fim de novembro, dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelaram que a economia brasileira cresceu apenas 0,6% no terceiro trimestre deste ano em relação aos três meses imediatamente anteriores, frustrando expectativas de que os vários estímulos adotados pelo governo federal neste ano surtissem efeitos mais profundos.

O resultado deve derrubar ainda mais as previsões de crescimento do governo para 2012. No início do ano, o governo disse esperar um crescimento de 4,5%. Agora, espera-se que a taxa fique em torno de 1%.

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