Coreia do Norte comemora sucesso de lançamento de foguete

Atualizado em  12 de dezembro, 2012 - 12:17 (Brasília) 14:17 GMT
Lançamento na Coreia do Norte / Reuters

Coreia do Norte lançou foguete na manhã desta quarta-feira

A Coreia do Norte comemorou o sucesso do lançamento de um foguete de longo alcance, que colocou um satélite norte-coreano em órbita na manhã desta quarta-feira.

Com música solene ao fundo e uma apresentadora sorridente, a televisão estatal do país fez o anúncio.

Nas ruas, os norte-coreanos davam entrevistas sobre como estavam orgulhosos com o lançamento e com o avanço da ciência no país.

Mas, internacionalmente, volta a crescer a preocupação internacional com o programa espacial norte-coreano, e vizinhos acusam o país de usar o lançamento para testar mísseis.

O Conselho de Segurança a ONU vai se reunir para analisar qual será a resposta ao lançamento.

'Comportamento irresponsável'

O foguete Unha-3 foi lançado da costa oeste do país, parece ter seguido a trajetória planejada e partes do foguete caíram nos lugares esperados.

O governo da Coreia do Norte afirmou que o satélite foi colocado em órbita.

"O lançamento da segunda versão do nosso satélite Kwangmyongsong-3 (Unha-3) do Centro Espacial Sohae em 12 de dezembro foi bem-sucedido", informou a agência estatal de notícias KCNA. "O satélite entrou em órbita como planejado."

O Comando de Defesa Aeroespacial dos Estados Unidos (Norad, na sigla em inglês) confirmou que "um objeto parece ter alcançado a órbita".

O lançamento gerou críticas da comunidade internacional. Os Estados Unidos afirmaram que o lançamento foi outro "exemplo do padrão de comportamento irresponsável da Coreia do Norte".

A China, o maior aliado da Coreia do Norte, lamentou o lançamento, mas afirmou que qualquer ação da ONU deve ser moderada e evitar o aumento da tensão na região.

O governo japonês informou que o foguete passou sobre partes de Okinawa e não houve tentativa de interceptá-lo.

O Japão tinha ameaçado derrubar qualquer foguete ou destroços de satélite que invadissem seu território. O país deixou alertas navios e interceptadores de mísseis em terra.

O porta-voz do governo japonês chamou o lançamento de "extremamente lamentável".

Já o presidente sul-coreano Lee Myung-bak solicitou uma reunião de emergência de seus principais conselheiros para responder ao lançamento do foguete do país vizinho.

Seul, Washington e líderes de outros países pediram à Coreia do Norte para não prosseguir com a iniciativa, sob o risco de que a empreitada fosse considerada um teste de mísseis de longo alcance, proibido por resoluções das Nações Unidas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o lançamento desta quarta é uma "clara violação" dessas resoluções.

Calma

De acordo com o analista diplomático da BBC Jonathan Marcus, o lançamento do foguete Unha-3 marca um importante progresso das ambições do governo norte-coreano de desenvolver um míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês).

A Coreia do Norte informou que o objetivo do lançamento era colocar o satélite em órbita e pediu que a comunidade internacional permanecesse calma. Um porta-voz do Ministério do Exterior norte-coreano disse que o país vai continuar com o programa espacial, independente da reação internacional.

No entanto, Marcus Lembra que o governo da Coreia do Norte já comentou suas ambições de atacar o que chama de "agressores", não importando a distância.

Especialistas afirmam que a tecnologia usada para o lançamento de um satélite é muito parecida com a necessária para desenvolver um míssil de longa distância.

"O fato de os norte-coreanos terem colocado um satélite em órbita é menos importante do que o fato de que eles parecem ter conseguido uma separação bem-sucedida entre os três estágios do foguete", afirmou Mark Fitzpatrick, diretor de não-proliferação e desarmamento do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos em Londres.

E, para o especialista, isso representa um avanço nas ambições da Coreia do Norte para o desenvolvimento do míssil balístico intercontinental.

No entanto, Fitzpatrick afirma que, na opinião dele, isso não significa que os norte-coreanos conseguirão ter uma arma como esta em "um futuro próximo".

Em abril deste ano, a Coreia do Norte já havia realizado empreitada semelhante, mas, naquela ocasião, o foguete explodiu e caiu logo após seu lançamento no mar ao oeste da península coreana.

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