Dilma diz que Síria não pode ser transformada em um 'novo Iraque'

Atualizado em  14 de dezembro, 2012 - 23:56 (Brasília) 01:56 GMT
Dilma cumprimenta Vladimir Putin (foto: Roberto Stuckert Filho)

Presidente Dilma Rousseff cumprimenta o presidente Vladimir Putin no Kremlin

A presidente Dilma Rousseff disse que uma intervenção militar internacional na Síria poderia levar à repetição de erros cometidos no Iraque e no Afeganistão. Ela afirmou que o conflito no país só terminará com uma solução local ou que envolva a diplomacia internacional.

Dilma disse que ela e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, com quem se reuniu nesta sexta-feira no Kremlin (a sede do governo russo), no segundo dia de sua visita oficial ao país, compartilham dessa mesma posição, de ''maneira bastante incisiva''.

A Rússia é uma das principais aliadas da Síria atualmente. O país já forneceu armamentos, possui uma base naval em território sírio e vem barrando sistematicamente ações negativas para o governo de Bashar al-Assad no Conselho de Segurança da ONU.

A postura do Brasil, expressa por Dilma, é a de tanto condenar o governo Assad como fazer críticas às facções rebeldes. O Itamaraty defende, porém, que qualquer decisão da comunidade internacional em relação ao conflito deve ser tomada no âmbito do Conselho de Segurança.

''Aqueles que defendem a solução de conflitos através das armas têm tido grandes problemas, a exemplo do Afeganistão, onde estão retirando as tropas e continua a mesma situação. A mesma coisa ocorreu no Iraque. E hoje nós vemos que a situação da Líbia não é tão tranquila assim'', disse a presidente em referência a intervenções militares que tiveram os Estados Unidos como ou o protagonista ou, no caso líbio, como um dos principais envolvidos.

Em relação à Líbia, o Brasil votou na ONU contra a resolução, firmada no ano passado, que estabeleceu o uso da força contra o país - a despeito de ter condenado as ações do então líder líbio, Muammar Gaddafi.

''O que tem acontecido é que essas intervenções militares, em vez de estabilizar, criam mais impasses. Criam mais conflitos que duram uma infinitude, que não acabam mais'', afirmou Dilma.

Diálogo

Dilma louvou os esforços feitos pelo enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Lakhdar Brahimi, para tentar pôr fim ao conflito. Em agosto deste ano, o Brasil aprovou uma resolução na Assembleia Geral da ONU que condena o governo de Assad, propõe uma transição de poder pacífica no país e critica a suposta inação do Conselho de Segurança da ONU.

''O conflito sírio tem de ser resolvido pela Síria e ao mesmo tempo não está claro que haja qualquer solução militar para o conflito, a solução tem que se dar através do diálogo", disse a presidente.

''O governo de Damasco é o maior responsável pelo início dos conflitos armados e pelas reações que ocorreram, mas é também uma verdade que as oposições são as mais diferenciadas possíveis e muitas delas são armadas por potências externas'', disse a presidente.

Indagada pela BBC Brasil sobre como apostar no diálogo se as duas partes não parecem dispostas a buscar alguma forma de consenso, a presidente afirmou:

''Como apostar no diálogo? Existem partes, vamos chamar assim. A terceira parte é a ONU e a comunidade internacional. Só existe essa solução do nosso ponto de vista''.

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