Com queda do real e PIB fraco, Brasil patina em ranking de economias

Atualizado em  19 de dezembro, 2012 - 15:50 (Brasília) 17:50 GMT
Linha de montagem (Foto Agência Brasil)

Desvalorização cambial faz PIB em dólar cair, mas aumenta competitividade da indústria

Há um ano, autoridades brasileiras celebraram com entusiasmo a notícia de que o PIB do país havia superado o britânico, fazendo do Brasil a sexta maior economia do mundo.

Agora, a tendência é de que, mesmo com a economia britânica patinando para sair da crise, a disputa por esse sexto lugar seja muito mais acirrada do que o previsto inicialmente.

Segundo a Economist Intelligence Unit (EIU), consultoria ligada à revista britânica The Economist, a desvalorização do real deve fazer o PIB brasileiro ser novamente superado pelo da Grã-Bretanha no fim do ano.

Robert Wood, da EIU, admitiu à BBC Brasil que a mudança é contábil. Segundo as previsões da consultoria, a economia britânica deve cair 0,1% em 2012 e crescer apenas 0,5% em 2013, enquanto o PIB do Brasil deve se expandir 1% em 2012 e 3,5% em 2013.

Mas, para ele, não há dúvidas de que essa não é uma boa notícia para os brasileiros.

"O problema é que, entre os mercados e investidores internacionais, esse dado lança luz sobre a questão de se o Brasil está fazendo o suficiente para retomar um ritmo sólido de crescimento", diz o economista, após mencionar a recente desaceleração da economia brasileira.

"Ao mesmo tempo, para a Grã-Bretanha, não parece haver muito o que comemorar, porque o crescimento do país no ranking deve ser visto mais como uma consequência da queda brasileira."

Depreciação

O Brasil deve ser derrubado para a sétima posição em função de uma desvalorização média de mais de 10% do real em relação ao dólar no último ano - que reduziu o valor do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro na moeda americana.

No mesmo período, a libra (moeda britânica) manteve-se praticamente estável, o que favoreceu o Reino Unido na comparação.

Com tais níveis de desvalorização do real, segundo a EIU, nem um crescimento um pouco mais vigoroso seguraria o Brasil na sexta posição. O desempenho pouco entusiasmante da economia brasileira neste ano, porém, ajudou a ampliar a diferença.

Em 2011, o PIB do Brasil havia superado o britânico por pouco mais de US$ 30 bilhões, segundo Wood. Agora, nos cálculos da EIU, a diferença será de US$ 198 bilhões (o PIB Brasileiro deve ficar em US$ 2,261 trilhões e o britânico US$ 2,458 trilhões).

Para Wood, não há como o Brasil superar a Grã-Bretanha neste ano e, em 2013, só haveria uma nova troca de posições no ranking se o real tivesse uma valorização de 11%.

"Tal cenário, porém, é muito improvável, já que as autoridades brasileiras parecem convencidas a manter o real desvalorizado", afirma Wood.

Seguindo a EIU, a economia brasileira só voltará a superar a britânica em 2016 - ou seja, durante a Olimpíada no Rio.

Retomada

Para Neil Shearing, da consultoria Capital Economics, com sede em Londres, o retorno ao sexto posto poderia demorar até mais tempo.

"O ritmo de redução da diferença entre a economia brasileira e as economias avançadas diminuiu", disse Shearing à BBC Brasil. "O Brasil ainda deve superar o PIB da Grã-Bretanha, mas isso pode ocorrer em um período de cinco a dez anos."

Já Dawn Holland, pesquisadora do britânico National Institute of Economic and Social Research (NIESR), contesta os termos da comparação.

Para ela, a melhor forma de medir e comparar o tamanho de diferentes economias é pelo sistema de Paridade de Poder de Compra (PPP, na sigla em inglês), que corrige as diferenças de níveis de custo de vida entre os diversos países.

Segundo Holland, por essa medida, tanto em 2011 como em 2012 o Brasil permaneceria no posto de sétima economia do mundo - atrás da Rússia, mas na frente da Grã-Bretanha.

A pesquisadora argumenta que o sistema de cálculo do PPP é preferível "por não ser afetado por flutuações cambiais e diferenças nas taxas de inflação entre os países".

Reajuste

Em dezembro de 2011, a notícia de que o tamanho da economia brasileira havia superado a do Reino Unido levou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a fazer uma série de previsões otimistas.

"O FMI prevê que o Brasil será a quinta economia em 2015, mas acredito que isso ocorrerá antes", estimou Mantega, há um ano, argumentando que o ritmo de crescimento da economia brasileira era o dobro da registrada em países europeus.

"É inexorável que nós passemos a França e, no futuro, quem sabe, a Alemanha, se ela não tiver um desempenho melhor", acrescentou o ministro.

Na época, o governo previa que o Brasil cresceria 4% em 2012.

"O Brasil estava conseguindo entrar para o time dos grandes com a ajuda da valorização do real, que inflou seu PIB em dólar nos últimos anos", avalia Shearing. "Mas essa valorização não era sustentável - em parte por minar a competitividade das manufaturas brasileiras."

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