ONU estima em 60 mil número de mortos na Síria

Atualizado em  2 de janeiro, 2013 - 20:54 (Brasília) 22:54 GMT
Síria / AP

Ataque a posto de gasolina teria deixado pelo menos 70 mortos na Síria, afirmam ativistas

No mesmo dia em que diversas pessoas morreram em um ataque aéreo a um posto de gasolina nos arredores da capital da Síria, Damasco, a ONU divulgou nesta quarta-feira um relatório que estima em 60 mil o número de mortos em decorrência do conflito no país, iniciado em março de 2011.

O estudo foi feito a pedido da Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, e coleta dados de sete fontes diferentes.

Segundo a pesquisa, 59.648 pessoas morreram em meio ao confronto entre opositores e forças leiais ao presidente da Síria, Bashar al-Assad.

As estatísticas foram contabilizadas até novembro de 2012.

Pillay, entretanto, disse que a estimativa já pode ter superado a barreira dos 60 mil mortos e descreveu a matança como "verdadeiramente chocante".

Grupos de oposição que atuam na Síria calculavam que 45 mil mortos haviam morrido em decorrência do levante revolucionário.

Fontes de referência

O relatório da ONU, intitulado "Análise Estatística Preliminar da Documentação das Mortes na Síria", tomou como base estatísticas do governo e de grupos opositores.

Os autores, do grupo de pesquisa Benetech, avaliaram 147.349 relatórios de mortes de sete fontes diferentes.

Eles cruzaram as referências das pesquisas e excluíram dados duplicados, além de contabilizar apenas aqueles em que havia o primeiro nome e o sobrenome das vítimas, bem como a data e o local de sua morte.

Ao fim desse processo, os pesquisadores chegaram ao número de 59.648 mortos.

Entretanto, eles alertaram que um número desconhecido de mortos não foi documentado por nenhuma das fontes pesquisadas.

"As estatísticas apresentadas nesse relatório devem ser considerados como valores-base", informa o relatório das Nações Unidas.

Bashar al-Assad / Reuters

Levante revolucionário contra presidente da Síria, Bashar al-Assad, começou em 2011

Apenas quatro das fontes pesquisadas cobriram todo o período.

Três são grupos de ativistas com ligações com a oposição: O Centro de Documentação das Violações, a Rede Síria para Direitos Humanos, e o site Syria Shuhada.

A outra fonte é o grupo de ativistas baseado no Reino Unido Observatório Sírio para Direitos Humanos.

As estatísticas provenientes do governo estão disponível apenas de março de 2012 e até agora estimam o número de mortos em 2.539.

Já o número de 59.648 também inclui muitas mortes relatadas por uma única fonte, explicou o órgão da ONU.

Por exemplo, em agosto de 2012, o mês mais mortal desde o início do levante revolucionário, os dados revelam que apenas pouco mais das 4 mil mortes foram confirmadas em duas ou mais fontes de referência.

Por outro lado, 2 mil mortes relatadas foram contabilizadas de apenas uma única fonte, apesar de terem sido incluídas na contagem final.

Detalhes

O estudo não discrimina se os mortos eram rebeldes, militares ou civis.

Mas a pesquisa destaca que 76% das vítimas foram identificadas como homens.

O relatório também revela que as áreas mais afetadas pelo conflito são a parte rural de Damasco e a província de Homs.

"Dada a continuidade do conflito desde o fim de novembro, podemos estimar que mais de 60 mil pessoas foram mortas até o início de 2013"

Navi Pillay, Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos

Segundo Pillay, "dada a continuidade do conflito desde o fim de novembro, podemos estimar que mais de 60 mil pessoas foram mortas até o início de 2013".

"O número de mortos é muito maior do que esperávamos, e isso é verdadeiramente chocante".

Ela assinalou que as mortes foram causadas nos dois lados do conflito e alertou que o crescente sectarismo dificulta o estabelecimento de uma possível solução ao conflito.

Manifestações reivindicando reformas modestas na Síria tiveram início em fevereiro de 2011.

Uma série de confrontos entre forças de segurança e manifestantes cresceu a ponto de se tornar um levante revolucionário contra a permanência do presidente Bashar al-Assad no poder.

Os rebeldes agora controlam grandes porções da Síria, mas o conflito parece longe de ter um fim breve.

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