Resgate acaba em derramamento de sangue na Argélia

Atualizado em  19 de janeiro, 2013 - 22:06 (Brasília) 00:06 GMT
Reféns rendidos por extremistas (foto: Reuters)

Imagem de uma TV regional mostra reféns rendidos por combatentes islâmicos.

Quatro dias de cerco e ataques de forças argelinas a uma refinaria de gás no deserto do Saara, invadida por extremistas islâmicos, acabaram com a morte de dezenas de reféns e combatentes.

Sete reféns e 11 militantes foram mortos no sábado durante o ataque final de forças da Argélia ao complexo. Segundo autoridades do país, durante toda a operação, 23 reféns e 32 extremistas foram mortos.

Cinco britânicos estão mortos ou desaparecidos. Cinco noruegueses também não haviam sido encontrados até a noite de sábado.

A operação de resgate aconteceu de surpresa, sem a consulta da comunidade internacional pelo governo argelino. A confusão e a divulgação de informações desencontradas marcaram os quatro dias de cerco.

Contudo, o presidente francês François Hollande defendeu a operação, afirmando que a resposta argelina para a crise foi "a mais adequada".

"Quando você tem tantas pessoas reféns de terroristas com tanta determinação fria e prontos para matar os reféns – como eles fizeram – a Argélia teve uma resposta que para mim, como entendo, era a mais apropriada, porque não havia negociação", disse ele.

O premiê britânico David Cameron lamentou a perda de vidas. "Não há justificativa para tirar vidas dessa maneira. Nossa determinação está mais forte do que nunca para trabalhar como nossos aliados ao redor do mundo para derrotar o flagelo terrorista e aqueles que o encorajam", disse.

Desativando minas

O campo de gás de Tigatourine, no leste do país, é operado pela britânica BP, pela norueguesa Statoil e pela petroleira estatal argelina.

Detalhes da operação de resgate ainda são escassos, mas informações não confirmadas dizem que os últimos 11 sequestradores executaram seus sete reféns neste sábado antes de serem mortos pelas forças de resgate.

A agência de notícias estatal APS afirmou, citando o Ministério do Interior da Argélia, que 685 funcionários argelinos foram libertados. Dos 132 trabalhadores estrangeiros do complexo, 107 teriam sido resgatados.

As autoridades locais não revelaram as identidades dos 23 reféns mortos.

O governo japonês disse não ter notícias de 14 de seus cidadãos. A BP desconhece o paradeiro de quatro de seus chefes executivos e a Statoil disse ainda estar procurando por cinco funcionários, segundo a agência de notícias Reuters.

As tropas argelinas estão agora retirando minas instaladas no complexo pelos extremistas. Elas já recolheram seis metralhadoras, 21 fuzis, duas espingardas, dois lançadores de morteiros, seis lançadores de mísseis, dois lança rojões (RPG) e 10 granadas.

Os extremistas seriam liderados por Abdul Rahman al-Nigeri, segundo a agência de notícias ANI, da Mauritânia.

Eles afirmaram ter agido em retaliação à intervenção militar francesa no Mali.

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