Eleição de Renan fortalece aliança crucial para campanha de 2014

Atualizado em  1 de fevereiro, 2013 - 17:44 (Brasília) 19:44 GMT
Após ser eleito presidente do Senado, Renan Calheiros é cumprimentado por seu antecessor, José Sarney (Foto: Antonio Cruz/ABr)

Renan Calheiros (à esquerda) vai substituir José Sarney na presidência do Senado

Cinco anos depois de ter renunciado à presidência do Senado, em dezembro de 2007, em meio a acusações de corrupção, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) volta ao cargo novamente, após ter sido eleito com 56 votos nesta sexta-feira.

A eleição ocorre no mesmo dia em que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, confirmou a apresentação, na semana passada, de uma denúncia contra o senador pelos crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documentos falsos. A denúncia foi enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal) na semana passada.

Apesar de ter sido recebida com críticas, por causa do envolvimento do senador em escândalos de corrupção, a candidatura de Renan Calheiros foi apoiada pelo Planalto.

Segundo analistas, o governo da presidente Dilma Rousseff aposta no fortalecimento da aliança política com o PMDB – partido considerado um aliado crucial – já de olho na campanha presidencial de 2014.

"Talvez seja o primeiro ato significativo da campanha de 2014", disse à BBC Brasil o cientista político Ricardo Ismael, professor da PUC-Rio, lembrando que, na próxima semana, outro peemedebista, o deputado Henrique Alves (PMDB-RN), deverá ser eleito presidente da Câmara.

A cientista política Maria do Socorro Souza Braga, professora da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), observa que Renan Calheiros é um representante de alguns setores nos quais o governo Dilma não tem tanto trânsito.

"Sendo o governo Dilma mais de centro-esquerda, a aliança com Renan Calheiros acaba facilitando o relacionamento do governo com esses setores", diz a analista.

"Ele também é um grande articulador político, muito próximo do baixo clero", observa.

Denúncias

Renan Calheiros foi eleito para um mandato de dois anos e vai suceder o senador José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa.

"O grande eleitorado não dá a menor pelota para essa eleição"

Ricardo Ismael, cientista político e professor da PUC-Rio

O senador Pedro Taques (PDT-MT), que também concorria ao cargo, recebeu 18 votos. Foram registrados ainda dois votos em branco e dois nulos, em votação secreta.

A denúncia de Gurgel contra Renan Calheiros, divulgada pela imprensa, diz respeito ao desvio de dinheiro do Senado e ao uso de notas frias e documentos falsos para justificar gastos com o pagamento de pensão da filha que teve fora do casamento. O senador foi acusado de três crimes: falsidade ideológica, uso de documentos falsos e peculato.

"(Com a eleição) O Senado federal ignora a denúncia da Procuradoria Geral da República, ignora o fato de que o próprio Renan Calheiros renunciou em 2007", diz Ricardo Ismael.

Para Maria do Socorro Souza Braga, da UFSCar, em um momento em que o país acaba de acompanhar o julgamento do mensalão, considerado um marco, e que a presidente Dilma Rousseff se destaca pelos esforços no combate à corrupção, a eleição de um nome envolvido em denúncias tem “um aspecto simbólico negativo”.

No entanto, ambos os analistas avaliam que o episódio não deverá ter impacto negativo sobre o governo.

"Não deve haver queda de popularidade da presidente. O que mexe com isso é a economia", diz Souza Braga. Já Ismael avalia que "o grande eleitorado não dá a menor pelota para essa eleição, não está nem acompanhando".

Colocando na balança prós e contras do apoio a Renan Calheiros, os analistas consultados pela BBC Brasil afirmam que, do ponto de vista político, é um aspecto muito positivo para o governo manter o PMDB em seu campo de influência.

"Será fundamental nos esforços de Dilma para se reeleger", diz Souza Braga.

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