França promete ajuda para reconstrução do Mali

Atualizado em  2 de fevereiro, 2013 - 18:31 (Brasília) 20:31 GMT
Mali / AFP

População do Mali agradeceu apoio da França para livrar país dos rebeldes islâmicos

Em visita de apenas um dia ao Mali, o presidente da França, François Hollande, prometeu ajudar a reconstruir o país, três semanas depois de seu governo lançar uma ofensiva contra rebeldes islâmicos que controlavam a região norte da nação no oeste da África.

Em entrevista na capital do Mali, Bamako, Hollande garantiu mais recursos à ex-colônia francesa e afirmou que reconstruirá locais sagrados danificados pelos insurgentes.

"Grupos terroristas foram enfraquecidos, mas não desapareceram", disse ele.

Segundo Hollande, as tropas francesas permanecerão no país "o tempo que for necessário".

Ele reiterou que a França devolverá o poder ao governo maliano "tão logo a soberania do país estiver recuperada".

As declarações de Hollande foram feitas ao lado do líder interino do Mali, Dioncounda Traore.

Traore agradeceu o apoio francês por ter libertado o norte do país do que chamou de "barbaridade e obscurantismo".

'Vive la France'

Hollande também prometeu recuperar os sítios culturais danificados pelos rebeldes - que incendiaram 2 mil manuscritos em Timbuktu, considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.

"Não podemos tolerar o que aconteceu em Timbuktu", disse ele.

No início da manhã deste sábado, Hollande viajou à cidade, localizada no norte do país, cujo controle foi retomado por tropas francesas e malianas há seis dias.

Milhares de moradores deram as boas-vindas a Hollande com gritos de "Vive la France" ("Viva a França", em tradução livre).

Muitas mulheres, vestidas com roupas coloridas e com joias, também vibraram com a visita do presidente francês.

Hollande em Timbuktu / AP

Em visita de apenas um dia ao Mali, Hollande garantiu recuperação de sítios históricos

Elas afirmaram que, durante o domínio dos radicais islâmicos, tinham de andar cobertas.

"As mulheres de Timbuktu vão agradecer François Hollande para sempre", disse Fanta Diarra Touré, de 53 anos, à agência de notícias AFP. Ela é uma das milhares de pessoas que se reuniram na praça principal da cidade.

A visita de Hollande ocorre em meio ao avanço das tropas francesas e malianas no norte do país africano.

Os militares das duas nações estão tentando retomar o controle da cidade de Kidal, no nordeste do Mali, a última fortaleza dos rebeldes.

Na última quarta-feira, as tropas capturaram o aeroporto, até então em poder dos insurgentes.

Em Bamako, Hollande também disse que "terroristas" deveriam ser punidos, mas ressalvou que a incursão militar precisa ser feita "respeitando os direitos humanos".

Em meio à investida liderada pela França, testemunhas afirmaram que tropas do Mali violaram direitos humanos, incluindo execuções sumárias e desaparecimento de pessoas.

Também houve relatos de episódios de linchamento e pilhagem de propriedades de comunidades árabes e tuaregues acusadas de apoiar grupos armados islâmicos, informou a ONU.

Um total de 3,5 mil militares da França está atualmente em missão no Mali.

As tropas francesas contam com o apoio de um efetivo de 2 mil soldados do Chade e do Níger, que ajudaram a consolidar as conquistas mais recentes.

Outros 6 mil militares também estão no país como parte da Missão Internacional de Apoio ao Mali (Afisma, na sigla em inglês) liderada pela União Africana (UA) e apoiada pelas Nações Unidas.

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