Papa brasileiro não mudaria relação da Igreja com o governo, diz embaixador

Atualizado em  1 de março, 2013 - 06:23 (Brasília) 09:23 GMT
Fumaça negra sai de chaminé da Capela Sistina (foto: France Presse)

Fumaça negra sai de chaminé da Capela Sistina; cardeais escolherão novo papa

O embaixador do Brasil no Vaticano, Almir Franco de Sá Barbuda, diz "torcer" para a escolha de um brasileiro como novo papa, mas afirma que isso não deve mudar as relações do governo com a Igreja Católica.

"Estou torcendo para isso (a escolha de um brasileiro), como todo o povo brasileiro", disse ele em entrevista à BBC Brasil nesta quinta-feira na sede da embaixada. "Ter um papa brasileiro seria um grande orgulho para o povo", comentou.

"As relações com o governo brasileiro serão sempre boas, porque é um povo com grande maioria católica", disse o embaixador. "Mas é difícil calcular (o impacto), porque nunca tivemos um papa brasileiro."

Segundo Barbuda, a relação tem uma série de "bons antecedentes". "Costumo dizer que as relações começaram com a Primeira Missa no Brasil. E com o país independente, já é uma relação de mais de 180 anos", diz.

Para ele, um dos possíveis efeitos de um eventual papa brasileiro poderia ser um número maior de viagens ao Brasil. "Isso poderia acontecer, mas não necessariamente. Bento 16, que é alemão, foi apenas duas ou três vezes à Alemanha (em oito anos)", diz.

Barbuda também não vê uma grande influência sobre a força da Igreja Católica no Brasil no caso da escolha de um brasileiro como papa. Para ele "ninguém vai virar católico só porque o papa é brasileiro", mas a "curiosidade" de ter um papa nascido no país poderia levar católicos não praticantes de volta às igrejas.

Jornada Mundial da Juventude

O embaixador manifestou ainda uma expectativa positiva sobre a esperada viagem do novo papa ao Brasil em julho, para participar no Rio de Janeiro da Jornada Mundial da Juventude - um evento periódico realizado pela Igreja Católica em várias partes do mundo e que deverá atrair milhões de pessoas.

"A Jornada Mundial da Juventude é um dos maiores acontecimentos que a Igreja realiza periodicamente, e o papa sempre vai. Vai ser muito bom que um papa novo vá ao Brasil em uma viagem dessa importância. Vai ser muito bom para nós também", disse.

As Jornadas Mundiais da Juventude foram criadas pelo papa João Paulo 2º em 1985 para reunir católicos no mundo todo. Ela ocorre a cada dois ou três anos em uma cidade do mundo escolhida pela Igreja.

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