Obama assina ordem para iniciar cortes bilionários de gastos nos EUA

Atualizado em  1 de março, 2013 - 23:08 (Brasília) 02:08 GMT

Obama acusa republicanos de intransigência

O presidente americano Barack Obama assinou na noite desta sexta-feira uma ordem para iniciar cortes de gastos da ordem de US$ 85 bilhões (R$ 168 bilhões) nos gastos do governo.

A decisão do presidente acontece após um fracasso nas negociações no Congresso para evitar entrada automática em vigor do pacote de corte de gastos em áreas como defesa, controle de tráfego aéreo, fiscalização de alimentos e pesquisas médicas, informa a agência Reuters.

Uma reunião na Casa Branca terminou sem que líderes dos partidos Democrata e Republicano entrassem em acordo, apesar dos dois partidos serem contrários aos cortes. Obama culpou os republicanos.

Teme-se que o pacote tenha efeitos negativos sobre a ainda lenta recuperação econômica americana.

Analistas creem que o PIB americano possa crescer apenas 1,4% em 2013 caso os cortes orçamentários não sejam adiados ou alterados (em 2012, o crescimento foi de 2,2%). Obama afirmou que com um crescimento menor, mais de 750 mil empregos podem ser perdidos.

O presidente Barack Obama culpou os congressistas republicanos pelo impasse, por estes se recusarem a permitir qualquer tipo de aumento de impostos. Para o presidente, os cortes orçamentários são "desnecessários" e "indesculpáveis".

"Washington não facilitou a vida num momento em que os negócios começam a reagir", criticou o presidente.

O líder republicano na Câmara dos Representantes, John Boehner, reiterou a recusa de seu partido em permitir aumentos de impostos e desafiou o Senado - onde também há impasse e onde propostas orçamentárias de ambos os partidos foram rejeitadas na quinta-feira - a aprovar uma lei a respeito do tema antes da Câmara.

"O povo americano sabe que Washington tem um problema de gastos", declarou Boehner, ao sair da Casa Branca nesta sexta.

"Vamos deixar claro que o presidente obteve seus aumentos de impostos (em um acordo para evitar o abismo fiscal dos EUA) em 1º de janeiro. A discussão quanto a receitas, na minha opinião, está concluída. A questão é discutir os gastos."

Dolorido

Líder republicano John Boehner em coletiva após reunião na Casa Branca (AP)

Boehner, líder republicano; partidos não entram em acordo quanto ao aumento nos impostos

O editor da BBC em Washington Mark Mardell explica que o objetivo dos cortes orçamentários é justamente "doer" na economia americana - eles foram estipulados, dois anos atrás, para serem tão brutais a ponto de forçar políticos dos dois partidos a entrarem em um acordo para manter um equilíbrio nas contas estatais.

A questão envolve também um teatro político, de trocas mútuas de acusações entre republicanos e democratas. Esse teatro deve ter novos capítulos, já que deve haver um novo impasse orçamentário no final deste mês, que deve desencadear uma nova crise.

Em 27 de março, expira um orçamento federal temporário que tem mantido o governo americano funcionando desde 2012. Republicanos na Câmara disseram que votarão na semana que vem uma lei para financiar o governo até o final do ano fiscal, em 30 de setembro.

Do lado de Obama, a estratégia principal é dividir os republicanos e evidenciá-los como intransigentes.

Do lado da população, pesquisas de opinião sugerem que a maioria culpa mais o Congresso do que o presidente pelo impasse.

Ainda assim, ambos os lados parecem se preocupar mais com suas ideologias partidárias do que com o dano que os cortes causarão à economia, prossegue Mardell.

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