Premiê turco sofre críticas ao dizer que sionismo é 'crime contra humanidade'

Atualizado em  1 de março, 2013 - 22:27 (Brasília) 01:27 GMT
Recep Tayyip Erdogan (foto: Reuters)

Premiê turco afirma que sionismo deve ser considerado crime contra a humanidade

O premiê turco Recep Tayyip Erdogan foi fortemente criticado pelos Estados Unidos, por Israel e pela ONU por classificar o sionismo como "crime contra a humanidade".

Ele afirmou em um fórum da ONU nesta semana: "assim como sionismo, antisemitismo e fascismo, é inevitável que a islamofobia seja considerada um crime contra a humanidade".

O premiê israelense condenou a afirmação. O secretário de Estado americano John Kerry disse em Ankara que achou o comentário de Erdogan repreensível.

Em uma entrevista na capital turca, Kerry afirmou já ter tocado no assunto com o chanceler da Turquia, Ahmet Davutoglu, e que gostaria de discutir-lo com o próprio Erdogan.

O chanceler Davutoglu defendeu a posição de Erdogan. Ele criticou tropas israelenses pelo assassinato de nove ativistas turcos em 2010. As vítimas estavam abordo de uma flotilha que tentava furar o bloqueio marítimo de Israel e levar ajuda a Gaza.

"Se alguns países agem de uma forma hostil contra do direito à vida de nossos cidadãos, temos o direito de dar nossas declarações", afirmou.

Kerry está na Turquia participando de negociações sobre a escalada da crise na Síria.

Comentários ofensivos

Erdogan fez o controverso comentário em uma reunião do Fórum da Aliança de Civilizações da ONU em Viena nesta senama.

Suas palavras desencadearam uma reação da equipe de Netanyahu, que classificou o discurso como "sombrio e mentiroso".

O sionismo é uma ideologia ou movimento segundo o qual os judeus teriam o direito a um Estado nacional no que a bíblia chamou de "Tera de Israel".

Não há consenso entre os sionistas sobre quais seriam as fronteiras desse Estado.

Para os palestinos, o sucesso do sionismo significou a frustração de suas aspirações nacionais e a vida sob ocupação.

Nos Estados Unidos, o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança Tommy Vietor disse que "a caracterização do sionismo como crime contra a humanidade... é ofensiva e errada".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon afirmou ter ouvido o discurso de Erdogan por meio de um intérprete e disse lamentar "que comentários tão ofensivos e divisionistas foram proferidos em uma reunião realizada sob o tema liderança responsável".

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