Mais de 60% das mortes por armas de fogo nos EUA são suicídios

Atualizado em  6 de março, 2013 - 07:27 (Brasília) 10:27 GMT
Arma (Reuters)

Estados com leis mais flexíveis de acesso a armas teriam índices mais elevados de suicídio

O massacre de dezembro passado em uma escola de Newton, no Estado de Connecticut, nordeste dos Estados Unidos, lançou no país um novo debate sobre a relação entre o acesso facilitado a armas de fogo e a violência com armas.

Mas algumas entidades aproveitaram o debate nacional para destacar uma realidade que muitas vezes passa despercebida: o número anual de pessoas que cometem suicídio usando armas de fogo é muito maior do que o número de vítimas de homicídios cometidos com essas armas.

Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, cerca de 19 mil das 31 mil mortes por armas de fogo que acontecem anualmente nos Estados Unidos, ou 61,3%, são suicídios.

Uma preocupação adicional das autoridades e profissionais de saúde é o alto nível de eficácia das pistolas e fuzis se comparados com outros métodos: um total de 85% das tentativas de suicídio com essas armas no país resultam em morte, enquanto que apenas 2% das tentativas de suicídio realizadas com comprimidos têm êxito.

Motivos

Psiquiatras e psicólogos enfatizam que, ainda que se deva examinar os motivos que levaram alguém a querer tirar a própria vida, também é importante analisar como a pessoa tentou se suicidar.

É por isso que a Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard criou o projeto Means Matter (“Os Meios Importam”, em tradução livre), que visa destacar o papel de armas de fogo em suicídios.

''Existe uma tremenda disparidade na porcentagem de mortes em decorrência do método que se escolheu para um suicídio. Não é tão fácil morrer em tentativas de suicídio, e as armas, sem dúvida, tornam isso mais fácil'', disse à BBC Catherine Barber, diretora da Means Matter.

De acordo com Barber, a maioria dos que querem tirar a própria vida dedicam pouco tempo ao planejamento do suicídio. Tudo é feito muitas vezes de impulso, e se o método eleito é uma arma, há poucas chances que o suicida tenha a chance de se arrepender de sua decisão.

''Já analisei centenas de suicídios, e o que mais chama a atenção é que em muitos casos de suicídio, no dia em que ele se deu, ocorreu um evento que atuou como gatilho, como uma separação, uma discussão doméstica, problemas na escola'', comenta.

''Os pensamentos suicidas não costumam durar muito tempo. Aparecem e logo pode ser que não regressem. Só uma minoria de pessoas permanece em estado suicida durante um longo período de tempo'', afirma Barber.

Em um estudo de 2005 feito com um grupo de pessoas que sobreviveram a um enfarte ou a uma tentativa de suicídio, 25% dos entrevistados disse ter planejado o ato suicida durante pelo menos cinco minutos.

Analistas destacam ainda que nos Estados americanos em que há maior número de proprietários de pistolas e fuzis, ocorrem mais suicídios.

''Suicídios acontecem em todos os Estados Unidos, mas Estados com mais armas têm níveis mais altos de suicídios, como Wyoming, Montana, Alasca e Nevada - enquanto que os nove Estados com menor número de proprietários de armas têm cifras de suicídio significativamente mais baixas", afirmou à BBC Kenneth Duckworth, psiquiatra e diretor médico da Aliança Nacional para Doenças Mentais.

Leia mais sobre esse assunto

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.