Papa Francisco agita turismo religioso em Buenos Aires

Pôster do papa Francisco à venda na praça de Maio
Image caption Fiéis de várias partes do mundo foram à missa deste domingo na catedral de Buenos Aires

A eleição do arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, como papa agitou nos últimos dias o turismo religioso na capital argentina.

Desde então, centenas de fiéis lotam diariamente a catedral da cidade, onde Bergoglio realizava missas antes de se tornar o papa Francisco. Bandeiras argentinas e do Vaticano decoram agora o local.

Neste domingo, fiéis argentinos e de outros países acompanharam a missa na catedral, que está em frente à praça de Maio e a poucos passos da Casa Rosada, a sede da Presidência da República da Argentina.

Na catedral, o casal de cariocas José Edgar Roca, de 70 anos, e Beth Calmon, de 62, que mora na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, contou que decidiu comemorar o aniversário dele em Buenos Aires depois que foi anunciado o nome do papa argentino.

"Nós decidimos comprar o pacote na quarta-feira, dia 13, e viajar na quinta-feira. Somos católicos praticantes e achamos que por tudo o que ele disse até agora, que ele foi iluminado pelo Espírito Santo", disse Roca.

Image caption Cariocas José Edgar Roca e Beth Calmon decidiram ir a Buenos Aires após eleição do papa

Os dois disseram que o papa Francisco indica que dará uma "oxigenação" na Igreja. "Nós lemos tudo sobre o papa. Ele já era cardeal e andava de metrô e fazia a própria comida. Fui aluno do colégio Santo Inácio, no Rio, e acho que a espiritualidade tem um grande valor", afirmou Roca, que é engenheiro civil.

O colégio Santo Inácio é privado e foi fundado por padres jesuítas.

Segundo Calmon, a decisão da viagem, "feita na última hora", surpreendeu os filhos e amigos. "Nós consideramos o papa Francisco também brasileiro porque ele é argentino, é latino, e estará próximo do Brasil", disse ela, que é professora.

'Franciscomania'

Brasileiros, espanhóis, franceses e italianos, entre outros, estiveram neste domingo na catedral e na praça em frente, onde vendedores ofereciam calendários, chaveiros, camisetas e broches com o rosto do papa.

"Chaveiro do papa Francisco por dez pesos", diziam. "Papa Francisco foi cardeal aqui. Leve um calendário por quinze pesos", dizia outro vendedor.

A febre pelo papa e os objetos com seu rosto levaram os jornais de Buenos Aires a comentarem, em suas edições de sábado, sobre o "nascimento da franciscomania".

Image caption Arredores da catedral concentraram dezenas de vendedores de suvenires do papa

Na loja de lembranças da catedral, as duas vendedoras vendiam pôsteres do novo papa para uma fila que não deu trégua durante pelo menos duas horas.

As religiosas Elena Olasabal, espanhola de 36 anos, e Mariana Ferrari, argentina de 27 anos, da paróquia de São Caetano, do bairro portenho de Belgrano, tiravam fotos com outras amigas e a catedral ao fundo.

"Estamos muito emocionadas e orgulhosas por ele, pela Argentina e pela América Latina. E queremos apoiá-lo daqui, com muita oração", afirmaram.

Longe da catedral metropolitana de Buenos Aires e de outras igrejas, a rotina da cidade continuava igual a outros dias, antes de Bergoglio ser eleito papa. "Não tenho religião. Mas espero que ele atualize a mentalidade da igreja. Como pode ser que ainda hoje não admitam a camisinha?", disse o comerciante Matias Gil Gómez.

"Eu não tenho religião e preferia que nosso papa estivesse na província do Chaco, onde os pobres argentinos precisam de ajuda", disse um cambista que se identificou apenas como Josué, de 35 anos.

"Ainda estou emocionada. Nós argentinos temos a mania de achar que ganhamos tudo, e no fim não ganhamos, mas desta vez fomos pegos de surpresa e ainda estamos desconcertados", disse a cabelereira Rosana del Valle.

Flores

O aposentado Hugo Salazar, de 63 anos, vendia broches com o rosto do papa em frente à igreja São José de Flores, no bairro de Flores, onde Bergoglio nasceu, cresceu e celebrava missas.

Salazar disse que chorou ao ouvir o anúncio do nome de Bergoglio como novo papa da Igreja Católica. "Chorei muito, de emoção. E já estou guardando dinheiro para ir ao Rio de Janeiro para participar do encontro dos jovens em julho", afirmou, referindo-se à Jornada Mundial da Juventude.

Image caption Luis Drogo e Estela Bolado tiram foto em frente à casa onde o papa viveu na infância

Na igreja, o sacerdote que fazia a homilia, em uma igreja lotada, disse: "No ano 2002, quando fizeram denúncias contra o padre Grassi (argentino acusado de pedofilia), nos olhavam nas ruas como se todos fossemos criminosos. Agora, depois do anúncio da chegada do nosso santo padre, todos nos olham com admiração. Mutação impressionante", afirmou.

A poucas quadras da igreja, que fica em frente à estação de metrô e da praça de mesmo nome, Flores, a casa onde o papa nasceu passou a ser ponto turístico na cidade.

Na rua arborizada e de casas, argentinos tiram fotos na entrada do local, com janelas fechadas e grades.

A atual proprietária contou durante a semana, às emissoras locais de televisão, que havia curiosidade da imprensa internacional e de populares até "pela cozinha".

Mas ela disse que já tinha comprado a casa de outros donos e que a propriedade foi reformada.

"São muitas coincidências. O nome do meu marido é Luis Francisco e no dia 13, quando foi anunciado o nome do papa Francisco, nós abrimos uma loja perto daqui. Estamos muito emocionados", disse Susana Estela Bolado, de 58 anos, ao lado do marido, Luis Francisco Drogo, de 57 anos, que enxugava as lágrimas.

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