Obama tenta resgatar confiança de israelenses e solução de 2 Estados

Obama em Israel (Reuters)
Image caption Obama enfrenta uma curiosa desconfiança por parte dos israelenses

O presidente dos EUA, Barack Obama, não levou a sua viagem ao Oriente Médio nenhum plano de paz para o conflito israelo-palestino. Mas em seu discurso nesta quinta em Jersualém, diante de uma plateia predominantemente jovem, tentou passar a mensagem de que o status-quo da região é insustentável e de que é preciso dar uma nova chance à paz.

No entanto, Obama trouxe consigo uma bagagem complicada, por conta do fracasso da diplomacia de Washington no Oriente Médio em seu primeiro mandato.

Obama também enfrenta uma curiosa desconfiança por parte dos israelenses. O premiê do país, Binyamin Netanyahu, faz pouco segredo de sua preferência pelos rivais republicanos do presidente; porém, mais do que isso, israelenses comuns acham que Obama não compartilha de suas agruras.

Essa sensação de aparente indiferença foi consolidada em muitas mentes israelenses quando Obama escolheu fazer grandes discursos no Cairo e em Istambul - e não em Israel - no início de seu primeiro mandato.

Sendo assim, sua atual viagem a Jerusalém tem duas razões: primeiro, criar uma "conexão" com o público israelense, ao menos com a juventude do país, e resgatar do lixo da história a "solução de dois Estados", que prevê a convivência de Estados israelense e palestino convivendo lado a lado.

'Único caminho'

Obama trouxe sua performance "clássica", sobre a "antiga história do povo judeu".

Sua jornada, disse ele, "à promessa do Estado de Israel passou por incontáveis gerações. Envolveu séculos de sofrimento e exílio, preconceito, massacres e até genocídio".

O presidente americano ligou a narrativa judaica com a experiência dos negros americanos. E, além disso, extraiu uma mensagem universal: "A ideia de que as pessoas merecem ser livres em sua própria terra".

E essa foi a esperteza de seu discurso: entre os comentários já esperados sobre a Síria, o programa nuclear iraniano e etc, entre os elogios à nação judaica e o reforço dos laços entre EUA e Israel, Obama conseguiu fazer uma hábil mudança de marcha, dando volta ao argumento ao defender que os palestinos compartilhem desses mesmos valores de autodeterminação e justiça.

"Não é justo", disse Obama, "que as crianças palestinas não possam crescer em um Estado próprio e vivam sua vida inteira sob a presença de um exército estrangeiro que controla os movimentos de seus pais todos os dias".

Esse foi o momento em que Obama tentou devolver vida à solução de dois Estados.

E comentou o dilema israelenses ao citar o ex-premiê Ariel Sharon, que disse: "É impossível ter um Estado democrático judaico e ao mesmo tempo controlar toda a Eretz (terra de) Israel".

Foi uma clara defesa do que muitos veem como a escolha fundamental diante da sociedade israelense. Como disse Obama: "A única forma de Israel prosperar como um Estado democrático é pela viabilização de um Estado palestino independente".

"Israel está em uma encruzilhada", prosseguiu o americano. "A paz é o único caminho para a verdadeira segurança."

Antes, em Ramallah (Cisjordânia), em conversas com a Autoridade Palestina, Obama deixou claro que as precondições para os diálogos de paz deveriam ser abandonadas.

"Ainda que ambos os lados possam estar envolvidos em atividades que o outro lado considere quebra de boa-fé, temos que superar isso para tentar chegar a um acordo."

O que ouvimos foi retórica. Agora, todos os olhos se voltarão ao novo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, para ver quais ações práticas podem sair das palavras de esperança do presidente.

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