Modelo de ajuda ao Chipre gera temores na Europa

Banco no Chipre
Image caption Após acordo de resgate, bancos do Chipre permanecem fechados até quinta-feira

Os mercados da Europa e dos EUA registraram movimento de queda nesta segunda-feira depois que o ministro de Finanças da Holanda, Jeroen Dijsselbloem, líder do Eurogrupo, disse que o acordo para ajudar o país representa um novo modelo para resolver problemas futuros no sistema bancário da zona do euro.

Dijsselbloem desempenhou um papel crucial nas negociações sobre a crise no Chipre como líder do Eurogrupo, que reúne ministros de Finanças da zona do euro.

O modelo do pacote de resgate do Chipre, negociado com União Europeia e FMI (Fundo Monetário Internacional), envolve a cobrança de imposto sobre depósitos bancários.

Serão afetados os depósitos superiores a 100 mil euros. Segundo o governo, os clientes com depósitos nessa faixa – que são russos, na maioria – deverão sofrer perdas de cerca de 30%.

O editor de Economia Internacional da BBC, Andrew Walker, observa que, no acordo sobre o Chipre, o fardo recai sobre acionistas e credores, e não sobre o governo e os contribuintes.

Segundo Walker, na atual crise econômica que aflige diversos países da zona do euro, o mais comum é que os governos injetem capital nos bancos.

As declarações de Dijsselbloem geraram temores de que outros países europeus com bancos em dificuldade possam ser submetidos à mesma solução encontrada no Chipre.

Horas depois, Dijsselbloem esclareceu o comentário, e disse que o Chipre é "um caso específico com desafios excepcionais".

'Doloroso'

O acordo vai garantir ao Chipre um resgate de 10 bilhões de euros. Em troca, o país concordou em reestruturar seus sistema bancário.

O presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, disse em um pronunciamento à nação transmitido pela TV que o acordo era "doloroso", mas o melhor que se pode obter diante das circunstâncias.

Anastasiades disse que as restrições à movimentação de capital serão temporárias e prometeu proteger os fracos, ao afirmar que os pagamentos de benefícios sociais serão cumpridos.

O Banco Central do Chipre informou que os bancos do país ficarão fechados até quinta-feira, para garantir que funcionem com tranquilidade quando reabrirem.

Quando reabrirem, medidas temporárias serão colocadas em prática sobre as transações, disse o Banco Central.

Apesar do tamanho reduzido da economia do Chipre, a crise despertou temores de que a possível saída do país da zona do euro provocasse uma onda de desconfiança em relação ao bloco.

Analistas afirmam que agora, apesar de permanecer na zona do euro, o país ainda tem pela frente várias dificuldades enquanto tenta se recuperar da crise.

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