Conheça Horacio Cartes, milionário eleito novo presidente do Paraguai

Horacio Cartes | Foto: AP

Trazendo o conservador Partido Colorado de volta ao poder, o milionário Horacio Cartes foi considerado oficialmente eleito o novo presidente do Paraguai na noite deste domingo.

O resultado foi confirmado por Ramirez Zambonini, presidente do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral do país, quando 81% das urnas já tinham sido apuradas.

Cartes obteve 45,91% dos votos, frente aos 36,84% conquistados pelo adversário Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), de centro-direita.

"O povo paraguaio se pronunciou e nós o respeitamos", disse Alegre, admitindo a derrota. Em entrevista coletiva, o candidato indicou que apesar de ter perdido a Presidência, seu partido logrou "triunfos importantes nos Estados" – as eleições deste domingo também escolheram novos governadores.

Cartes representa o retorno dos Colorados ao centro do poder no país – área de domínio do influente partido durante 60 anos, incluindo o governo de Alfredo Stroessner, durante a ditadura militar que durou mais de 30 anos. A hegemonia havia sido interrompida em 2008, ano da eleição de Fernando Lugo, deposto do cargo em 2012.

A eleição também chega em um momento delicado para o Paraguai na região, que foi suspenso do Mercosul e trocou farpas com a Venezuela após o impeachment de Lugo, considerado "relâmpago" por muitos dos países vizinhos.

Empresário e conservador

Um dos homens mais ricos do Paraguai, o conservador é presidente do Grupo Cartes, um conglomerado de empresas que produzem bebidas, cigarros e charutos, roupas e carnes, além de gerenciar diversos centros médicos.

Aos 56 anos, Cartes é razoavelmente novo na política, mas é muito conhecido por sua trajetória empresarial, assemelhando-se ao presidente chileno, Sebastián Piñera.

Cursou a universidade nos Estados Unidos e ao retornar ao Paraguai iniciou sua vida no mundo dos negócios, na empresa do pai, Ramón Telmo Cartes Lind.

Foi apenas em 2009 que formalizou sua incursão na política, ao associar-se ao Partido Colorado, fundando o movimento Honra Colorado, em cuja página na internet dizia estar "inquieto pelo curso político do país sob o governo esquerdista-liberal filo-chavista".

Na mesma época, Fernando Lugo dava início ao seu governo, com alta popularidade (algo que foi perdendo ao longo dos anos) e a promessa de reformas sociais e de atentar-se ao eterno problema de terras no país.

Além de ser dono de empresas milionárias, Cartes é o presidente do Club Libertad desde 2001 – time de futebol paraguaio que sob sua gestão conquistou sete títulos locais.

Ele também é dirigente da Associação Paraguaia de Futebol – no departamento que coordena a seleção nacional.

Cocaína e maconha

Além de alçá-lo ao poder, no entanto, a entrada de Cartes na política colocou sua vida particular e ética empresarial sob os holofotes e abriu caminho para dúvidas não só de seus rivais, mas até mesmo do próprio Partido Colorado.

A presidente do partido, Lilian Samaniego, chegou a sugerir que Cartes teria vínculos com grupos do narcotráfico.

No ano 2000, autoridades paraguais localizaram um pequeno avião com registro brasileiro na fazendo do milionário, levando um carregamento de cocaína e maconha.

Ele negou qualquer relacção com a aeronave e sua carga e nunca chegou a ser formalmente acusado, mas a história o persegue desde então.

Lavagem de dinheiro

Outra acusação que paira sobre o empresário é a de lavagem de dinheiro, por operações supostamente ilegais mantidas pelo Banco Amambay, do qual é dono.

A instituição financeira foi investigada por uma comissão parlamentar brasileira em 2004, após ter sido incluída em uma reportagem com dados do Departamento Antinarcóticos Americano (DEA, na sigla em inglês).

Cartes classificou a acusação, em 2011, como um "disparate" e afirmou que o Brasil já tinha encerrado todas as acusações judiciais contra ele.

Ao longo do tempo, as justificativas do empresário convenceram a cúpula do Partido Colorado, que o apontou como candidato à Presidência – ganhando inclusive o apoio de Samaniego, que inicialmente o havia questionado duramente.

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