Vitória de Cartes marca retorno de colorados no Paraguai

Celebração do partido colorado (Foto AFP)
Image caption Celebração da virória de Horácio Cartes, do partido colorado

Houve uma época em que para ganhar as eleições no Paraguai os candidatos precisavam preencher um pré-requisito essencial: ser filiado ao partido colorado.

"Se essa garrafa d'água fosse o candidato colorado, seria eleita", chegou a declarar, em 2003, o então candidato do partido e futuro presidente paraguaio, Nicanor Duarte, em entrevista a um jornal brasileiro.

Quando o candidato de centro-esquerda Fernando Lugo venceu as eleições presidenciais, em abril de 2008, sua vitória foi celebrada pela oposição paraguaia como o fim dos 61 anos dessa hegemonia colorada.

Anos depois, porém, o impeachment de Lugo seguido da recente eleição de Horácio Cartes à presidência mostram que os colorados continuam no centro da política do país.

Criado em 1887 pelo ex-presidente e herói da Guerra do Paraguai Bernardino Caballero, o Partido Colorado governou o Paraguai de forma ininterrupta de 1947 a 2008, período que inclui a ditadura de Alfredo Stroessner (1954 a 1989), responsável pelo desaparecimento de milhares de dissidentes.

Em algumas eleições, esse foi o único partido autorizado a concorrer. Em outras, seu pesado maquinário eleitoral se encarregou de assegurar a vitória.

Estratégias

Para garantir seu domínio sobre a sociedade e a política do país, o Partido Colorado lançava mão de farta distribuição de cargos públicos e benesses para a população rural, além do cerceamento de opositores e dissidentes.

"Um colorado vota em um colorado, mesmo que seja o Pato Donald", declarou em 1998 Luis María Argaña, importante líder político do partido que se tornaria vice-presidente.

Na época, o general Lino Oviedo, candidato do partido à Presidência, fora impedido pela Justiça de participar das eleições por ter promovido um golpe anos antes.

Raúl Cubas, o novo candidato, teve apenas 20 dias para fazer campanha - e ainda assim levou a Presidência.

A verdade, porém, é que desde 1993, com a eleição do primeiro presidente civil depois da ditadura - Juan Carlos Wasmosy - os colorados haviam começado a perder eleitores.

Em 2003, por exemplo, Duarte venceu com apenas 37% dos votos e o partido conseguiu só 37 das 80 cadeiras da Câmara dos Deputados e 16 dos 45 assentos do Senado.

Foi nesse contexto que a vitória de Lugo foi interpretada como a consolidação do "declínio colorado".

Mas a vitória de Cartes com 45,91% dos votos, frente aos 36,84% conquistados pelo adversário Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), de centro-direita, parece ser uma prova de que o partido ainda tem fôlego para se reerguer.

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