O parque que é pivô dos protestos na Turquia

Os planos para transformar o Parque Gezi, em Istambul, em um complexo com uma nova mesquita e um shopping desencadearam uma onda de protestos que se espalhou pela Turquia.

O que começou como um manifestação contra um projeto de desenvolvimento urbano se transformou em uma expressão mais ampla de insatisfação contra as políticas do governo, o qual os manifestantes dizem estar se tornando cada vez mais autoritário.

O uso excessivo da força pela tropa de choque da polícia ─ que usou gás lacrimogêneo e canhões d’água para dispersar um protesto pacífico, deixando vários feridos ─ aumentou ainda mais a tensão.

Também há questões relativas à escolha do Grupo Kalyon como a principal empreiteira do projeto. O grupo teria uma ligação muito próxima com o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AK), do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan.

Mas há também um aspecto político mais profundo. Para alguns turcos, a proposta de reconstruir no local um quartel militar do tempo do Império Otomano tem um significado simbólico.

A BBC mostra abaixo como a área onde a onda de protestos teve sua origem está agora e como deverá ficar caso os planos do governo sejam colocados em prática.

Parque Gezi e Praça Taksim: como eles estão agora

O Parque Gezi, uma área cheia de árvores dentro da Praça Taksim, é um dos poucos espaços verdes que ainda resistem no centro de Istambul.

Ele foi comparado à Praça Tahrir, no Cairo, Egito, o ponto central das manifestações que derrubaram o presidente Hosni Mubarak em 2011.

Faixas carregadas pelos manifestantes alegam que o plano para o parque pode ser comparado a uma hipotética proposta de transformar o Central Park, em Nova York, ou o Hyde Park, de Londres, em uma área comercial.

Os críticos afirmam que a decisão de seguir com os planos foi tomada muito rapidamente e sem o debate público e na mídia, que seria apropriado para decidir se vale a pena mudar a praça e o parque.

A Praça Taksim já foi palco de vários outros protestos em 2013, incluindo no dia 1º de maio, na qual a polícia também disparou gás lacrimogêneo contra manifestantes.

Parque Gezi e Praça Taksim: os planos de reforma

Os planos de reforma incluem a construção de um shopping, que o primeiro-ministro Erdogan insiste que não será "um shopping tradicional" e também vai incluir centros culturais, um teatro de ópera e uma mesquita.

De acordo com o plano, o parque seria transformado em uma área de pedestres. A proposta também visa facilitar o tráfego em volta da Praça Taksim.

Na prática, porém, isso significa que grande parte da área verde seria substituída por concreto.

Um quartel militar da época do Império Otomano também seria reconstruído perto do local, e o histórico Centro Cultural Ataturk será demolido.

Foi no quartel que teve início em 1909 um motim fracassado de soldados de orientação islâmica, que apoiavam o sultão otomano Abdul Hamid 2º. Eles queriam implantar a lei islâmica, a sharia.

O quartel foi demolido em 1940, e as tentativas de reconstruí-lo são vistas como um toque de Islamismo e “neo-otomanismo”.

Os manifestantes não querem a retirada do verde da área. Eles também alegam que o acesso à praça vai ficar cada vez mais controlado, dando aos pedestres apenas dois pontos de entrada.

Notícias relacionadas