Emigrantes brasileiros pedem a Dilma direito de eleger deputados e senadores

Dilma e o ex-presidente Mario Soares em Portugal (Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República)
Image caption Dilma também se reuniu com o ex-presidente Mario Soares em Portugal

Um grupo de emigrantes brasileiros filiados ao PT pediu nesta segunda-feira à presidente Dilma Rousseff em Portugal que os brasileiros no exterior passem a ter direito de eleger deputados e senadores para defender os seus interesses no Congresso.

A reivindicação foi apresentada à presidente durante sua visita a Lisboa, por ocasião do encerramento do Ano do Brasil em Portugal.

"A ideia é podermos eleger parlamentares para que possamos ter representatividade dos brasileiros do mundo na Câmara e no Senado", afirmou a advogada Universina Branco, há 30 anos fora do Brasil.

Atualmente, existem 513 deputados e 81 senadores no Congresso, eleitos por 191 milhões de brasileiros – mas os cidadãos que vivem fora do país só votam para presidente.

Considerando cerca de três milhões de brasileiros que vivem no exterior, se fosse aplicada a proporcionalidade atual, os emigrantes poderiam eleger oito deputados e um senador.

Exemplo de fora

"Seria possível ter uma representação dos emigrantes das várias regiões do mundo", disse o engenheiro José Carlos Câmara, um dos que defendeu a petição.

"Ela (Dilma) ficou muito interessada com a proposta", afirmou. "O embaixador Mário Vilalva (em Lisboa) relatou que Portugal tem quatro deputados eleitos pelos emigrantes (portugueses) no exterior e que a França também tem deputados eleitos no exterior."

Segundo Câmara, o Conselho de Brasileiros Residentes no Exterior – formado a partir de brasileiros eleitos por emigrantes – não está funcionando, tendo tido apenas uma reunião.

Gostaríamos que a questão dos emigrantes brasileiros saísse do Itamaraty e fosse para a secretaria da Presidência, como acontece com a questão dos imigrantes."

Os petistas também levaram para a presidente a questão dos brasileiros que conseguiram o estatuto de igualdade de direitos políticos em Portugal e que, por isso, perdem o direito de votar nas eleições brasileiras, podendo votar nas portuguesas.

"Com isso temos dificuldades para conseguir o passaporte brasileiro por não termos votado no Brasil", disse Universina.

Mário Soares

Além de ouvir o pedido dos emigrantes, Dilma se reuniu com o ex-presidente e ex-primeiro-ministro português Mário Soares.

Sem contar sobre o que falaram, Soares disse que ficou muito impressionado com a presidente brasileira e defendeu uma posição contrária à do governo português – que sustenta que o Brasil poderia ajudar Portugal a sair da crise econômica.

"Nós vamos ter que sair da crise pelos nossos próprios meios. Em primeiro lugar, é preciso que este governo seja demitido", disse o ex-presidente, que se declarou um "brasilófilo" (amigo do Brasil).

Mário Soares aproveitou para criticar a política de austeridade europeia.

"Acho que a Alemanha percebeu que vai ela ficar também em crise se não mudar também a austeridade. A maior parte das exportações alemãs vinham para a Europa. Estando a Europa toda em grave crise, não são só os países pobres, do sul. Mas agora não somos só nós, é a Finlândia, é a Holanda, é a própria Alemanha que começa a ter dificuldades porque ninguém lhe compra as exportações", disse.

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