'Guardiões de propriedade': quando morar em mansão ajuda a economizar

Foto: Camelot Property Management Ltd.
Image caption Empresa oferece imóveis diferentes para inquilinos, como esta igreja antiga (Foto: Camelot Property Management Ltd.)

Com a economia passando por um momento difícil e os aluguéis cada vez mais altos, britânicos estão encontrando maneiras diferentes de cortar o custo de vida enquanto economizam para realizar o sonho da casa própria.

Em Helensburgh, no interior da Escócia, a 50 minutos de trem de Glasgow, uma mansão vitoriana de 35 quartos está para alugar por 180 euros (cerca de 520 reais) por mês, incluindo as contas.

Parece bom demais para ser verdade, mas para Sam Van Gelder, de 26 anos, que trabalha num call center, essa mansão é sua casa. Esse baixo custo permitiu que ele economizasse mais de 3 mil libras (10 mil reais) para dar de entrada numa casa própria.

Van Gelder é um guardião de propriedade e vive na mansão, que está à venda, com o objetivo de proteger o imóvel de vândalos, assaltantes, ladrões de metal e invasores. Em troca, ele paga um aluguel mensal acessível e vive em um local exclusivo.

No passado, a propriedade era um asilo. Ela foi deixada exatamente como era quando seus residentes idosos se mudaram. Há um elevador, mesa de massagem e cadeiras reclináveis no salão principal onde Van Gelder assiste televisão à noite.

"Morar sozinho num antigo asilo, no meio do nada, pode ser um pouco estranho", diz Van Gelder.

Mas existem algumas regras básicas para um guardião de propriedade, como por exemplo não hospedar ninguém.

"Há prós e contras. Você tem uma casa enorme para viver, mas tem que cuidar dela", diz Gelder.

Proteção

Existem muitas empresas especializadas em proteger propriedades, como a Ad Hoc e a Guardians Newbould. Paul Cosnett, gerente regional de Camelot Property Management, empresa que oferece moradia para cerca de 10 mil pessoas na Europa em edifícios abandonados ou de alguma forma vagos, diz que há alguns requisitos básicos para os que desejam ser guardiões de propriedade.

Eles têm que ter mais de 18 anos de idade, ter um fluxo de renda regular e uma ficha criminal limpa.

"Tudo o que pedimos é que os guardiões vivam nessas propriedades como se vivessem em sua própria casa, e verifiquem se as janelas e portas estão fechadas à noite Nós não pedimos para patrulharem o lado de fora ou nada do tipo, apenas para viverem na propriedade, mantê-la segura, e fazer um pouco de arrumação."

Qualquer propriedade pode ser habitada, contanto que seja à prova d'água e de vento, e tenha energia elétrica e abastecimento de água. A empresa tem algumas propriedades muito distintas em seus livros - como hospitais, bares, escolas, delegacia, observatórios, orfanatos, uma abadia e casas situadas no meio de grandes áreas. Eles têm inclusive um parque temático.

Cosnett diz que, com a recessão, tem havido um aumento no número de pessoas interessadas em cuidar de propriedades - com um crescimento entre 40% e 50% na região de Midlands (no centro da Inglaterra) e de cerca de 30% em Londres. Eles agora têm listas de espera para as propriedades próximas aos centros urbanos de Londres, Birmingham, Manchester e Liverpool.

Estima-se que existam cerca de 920 mil casas vazias em todo o Reino Unido. Guardiões de propriedade permitem que os proprietários economizem no custo de segurança.

Dividir

Image caption Outra opção oferecida pela Camelot é morar nesta base da RAF, a Força Aérea Britânica (Foto: Camelot Property Management Ltd.)

Ser guardião de propriedade não é o único esquema acessível de moradia que tem atraído novos interessados. O esquema conhecido como Homeshare ("Dividir casa", em tradução livre) é uma iniciativa em que o dono da casa oferece alojamento em troca de ajuda. Muitos esquemas de Homeshare são executados por organizações de trabalho voluntário ou instituições de caridade.

Naomi Lumsdaine, de 27 anos, encontrou a pessoa perfeita para dividir casa, culta, bem-educada e divertida – e tem 97 anos de idade.

Lumsdaine vive com Anne Schotts em uma casa de quatro quartos no centro de Londres. Ela paga 100 libras (340 reais) para uma agência sem fins lucrativos que cuidou da combinação entre as duas partes, mas nenhum aluguel para Schotts.

Alex Fox, diretor-executivo da Shared Lives Plus, a rede de 12 esquemas de Homeshare no Reino Unido, diz que há cerca de 200 pessoas formalmente usando esse tipo de sistema.

Ele diz que as pessoas que usam o esquema de dividir casa muitas vezes gostam de conhecer alguém fora do seu círculo social normal.

"Temos uma epidemia de isolamento e solidão entre os idosos, e você sempre tem pessoas mais velhas que estão lutando para pagar ou encontrar o tipo certo de apoio, e jovens que estão cada vez mais tentando comprar uma casa própria", diz Fox.

Após passar por um processo de seleção, ter seus registos criminais verificados, e conhecer Schotts, Lumsdaine se mudou e já vive na casa há cinco meses.

Schotts não quer viver em um asilo, mas precisa de algum tipo de apoio extra, por isso o arranjo acabou agradando sua família.

A iniciativa tem proporcionado Lumsdaine com uma rotina definida, e ela está usando o dinheiro que economiza para pagar dívidas e poupar para comprar sua casa própria. Ela diz que sua vida enriqueceu e que essa se tornou a maneira perfeita para viver.

"Eu tenho a companhia de uma senhora realmente maravilhosa. Ela é a melhor companheira de casa que já tive, porque ela não me traz problema algum."

Notícias relacionadas