Festa de acolhida reúne milhares em Copacabana

Papa Francisco na praia de Copacabana (foto: Getty)
Image caption Fiéis comparecem a missa na praia de Copacabana apesar do frio e da chuva

Nem mesmo o frio e a chuva afugentaram os peregrinos da JMJ (Jornada Mundial da Juventude) que, aos milhares, participaram da festa de acolhida com o papa Francisco, em Copacabana.

Fiéis de diferentes países chegaram desde cedo ao local para o primeiro grande encontro com o pontífice. No início da tarde, passou a vigorar um esquema especial de trânsito e todos os acessos a Copacabana foram interditados. Somente carros previamente autorizados pela Prefeitura podiam circular na região.

A única alternativa para a maior parte dos peregrinos foi o metrô, por meio de cartões especiais vendidos antecipadamente com horários pré-determinados. Mesmo assim, as estações ficaram superlotadas e muitos optaram por ir andando a Copacabana.

Festa

O papa Francisco chegou de papamóvel ao palco montado para a festa . Ele percorreu três quilômetros do Forte de Copacabana, de onde chegou de helicóptero, até o local. Durante o trajeto, acenou para os fiéis, beijou e benzeu crianças.

A abertura oficial da cerimônia, que foi precedida por shows de música, ocorreu por volta das 18h45. Antes disso, o pontífice fez um breve discurso. Nele, afirmou que o Rio de Janeiro havia se transformado “no centro da Igreja”.

Após inaugurar a festa, o papa recebeu jovens dos cinco diferentes continentes. Uma das mais emocionadas foi uma jovem brasileira, que presenteou o pontífice com uma muda de pau-brasil.

Em seguida, um grupo de atores representou a evangelização encenando a primeira missa no Brasil. Logo depois, a cantora Fafá de Belém se apresentou para o papa.

O pontífice também recebeu das mãos do ator Marcos Frota e do coreógrafo Carlinhos de Jesus, que representaram pescadores, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Após a leitura de um trecho do Evangelho de Lucas, Francisco iniciou um sermão. Ele falou da importância da fé e do jovem para a Igreja Católica.

“O jovem pode ser a testemunha corajosa do Evangelho”.

Em seguida, os jovens fizeram as preces em quatro línguas. Logo depois, o pai nosso foi cantado em latim.

A cerimônia terminou com uma benção do papa Francisco, que se despediu dos fiéis.

Mau tempo

Durante quase toda a cerimônia, os fiéis que lotavam a praia de Copacabana tiveram de enfrentar chuva fina e vento gelado.

Ao longo da orla, os termômetros dos relógios digitais marcavam em torno de 10 graus.

Por causa do frio e da chuva, muitos peregrinos passaram mal. Alguns desmaiaram e tiveram de ser atendidos em postos médicos espalhados pela orla de Copacabana.

O mau tempo também provocou uma importante mudança no cronograma do evento. A vigília e a missa de despedida, que seriam realizadas no Campus Fidei (ou Campo da Fé) em Guaratiba, na zona oeste do Rio, foram transferidas para Copacabana.

Em coletiva de imprensa realizada no fim da tarde, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, acompanhado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, afirmou que seria impossível realizar os dois eventos no terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados devido à chuva incessante que cai na cidade desde a última terça-feira.

A área aberta, dividida em 22 lotes, cada um equivalente a sete campos de futebol, virou um lamaçal, o que impediria muitos fiéis de passar a noite no local.

Inicialmente, os peregrinos teriam de caminhar até 13 quilômetros para participar do evento, tradicional em jornadas mundiais da juventude.

O prefeito do Rio explicou ainda que, por causa da mudança repentina, o esquema especial de trânsito em Copacabana será estendido até domingo.

Ida à favela e bandeiras olímpicas

Mais cedo, o papa foi à comunidade de Varginha, na zona norte do Rio, onde fez uma pequena celebração na modesta igreja local e visitou a casa de uma moradora. Também fez um discurso em um campo de futebol.

Antes disso, o pontífice foi até o Palácio da Cidade e benzeu as bandeiras olímpicas.

Nesta sexta-feira, ele deve ir à Quinta da Boa Vista, antiga residência da família imperial brasileira, e ouvir a confissão de cinco jovens, três brasileiros, um italiano e outro venezuelano. Depois, seguirá para um encontro com jovens detentos no Palácio Arquiepiscopal São Joaquim, residência oficial do arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta.

No fim da tarde, volta a Copacabana para participar da Via Crúcis com os jovens.

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