Nepalês de 106 anos realiza sonho de voar de avião

Bote Rai durante voo (AFP)
Image caption Bote Rai embarcou em um voo doméstico de 35 minutos

Um nepalês de 106 anos de idade conseguiu realizar o que ele chamou de último pedido: voar de avião.

Bote Rai mora na cidade de Dhankuta, leste do país, e estava de cama devido a uma gripe quando disse ao jornal The Himalayan Times que queria passar pela experiência de voar antes de morrer.

"Sempre quis voar, mas nunca pude pagar (pela passagem). Quero voar como um pássaro no céu aberto antes de morrer", disse Rai, que teve três esposas, 12 filhos e vive na casa dos sobrinhos há dez anos.

"Não consegui transformar meu desejo em realidade devido à minha condição física e também pelo fato de meus cuidadores serem muito velhos", disse.

Os responsáveis pelo centenário têm mais de 70 anos e confirmam que é complicado cuidar do tio. Tanto que chamaram a imprensa depois do pedido de Rai.

"Chamamos os jornalistas pensando que alguém pudesse querer tomar conta dele depois de conhecer sua situação. É difícil cuidar dele devido à nossa condição financeira. Não tenho o dinheiro para pagar 4 mil rúpias (cerca de R$ 93) para satisfazer seu último pedido", disse o sobrinho Mitra Lal Rai.

"Apesar de ter chegado a esta idade, nunca voei em um avião antes", disse Rai, pedindo à imprensa para tentar conseguir uma passagem ao invés de exames médicos e remédios.

Pedido atendido

Image caption Devido a problemas físicos, o nepalês teve que ser amparado

Depois da publicação da notícia, no dia 18 de agosto, a companhia aérea Yeti Airlines, deu as passagens e Bote Rai embarcou no voo entre Biratnagar e Kathmandu dois dias depois para uma uma viagem de 35 minutos.

Além de Rai, outro sobrinho dele, Man Bahadur Rai, de 74 anos, também ganhou uma passagem e fez seu primeiro voo.

Durante a visita a Kathmandu, Rai visitou o templo Pashupatinath, onde rezou.

O nepalês centenário disse que não ficou com medo, mas, quando perguntado se voaria de novo, ele respondeu: "Não, já foi o suficiente."

Devido aos problemas de locomoção, Rai precisou ser levado pelo sobrinho e por um funcionário da companhia aérea.

Eles foram recebidos pela imprensa no aeroporto da cidade nepalesa, onde Rai se emocionou.

"Estou feliz. Meu desejo se transformou em realidade, mas não me senti como um pássaro voando. Agora, já tive o bastante, quero ir para casa, descansar e cantar para o resto da vida", afirmou.

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