Refugiados sírios superam 2 milhões; ONU vê risco de 'geração perdida'

Refugiados sírios (Foto AP)
Image caption Refugiados sírios: ONU alerta para risco de que crise gere 'geração perdida'.

A Acnur, agência de refugiados da ONU, advertiu nesta terça-feira que o número de sírios que se viram forçados a deixar o país durante a guerra civil superou os 2 milhões, enquanto 4,25 milhões tiveram que deixar seus lares para viver em outras partes da própria Síria.

Com isso, a Acnur acredita a Síria é atualmente o país com o maior número de pessoas que tiveram que deixar suas casas em todo o mundo.

De acordo com um comunicado da instituição, a Síria estaria sofrendo "uma hemorragia de mulheres, crianças e homens" por suas fronteiras, com muitas pessoas sendo obrigadas a deixar o país com pouco mais que a roupa do corpo.

"Demorou dois anos para que tivéssemos o primeiro milhão de refugiados, mas apenas seis meses para que chegássemos no segundo milhão", disse à BBC o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Antonio Guterres.

Segundo Guterres, o número de refugiados sírios poderia chegar a 3 milhões até o final do ano.

De acordo com a ONU, esta seria a pior crise de refugiados desde o genocídio de 1994 em Ruanda e poderia criar uma “geração perdida”, mal-preparada para reconstruir a Síria.

Cerca de 97% dos refugiados sírios estão hoje em países vizinhos – o que, segundo a Acnur, pode sobrecarregar sua “infraestrutura, economia e sociedade”.

Só no Líbano, principal destino desses emigrantes, hoje haveria pelo menos um refugiado sírio para cada seis libaneses.

Jordânia e Turquia viriam em segundo e terceiro lugar no ranking dos países que mais têm recebido refugiados sírios. E o Iraque estaria na quarta posição, tendo recebido 170 mil pessoas.

Uma das maiores ondas de refugiados teria ocorrido em meados de agosto, quando milhares de sírios do nordeste do país cruzaram a fronteira com o Curdistão iraquiano.

Apoio internacional

Em um comunicado sobre o problema, a agência da ONU pediu mais “apoio internacional” para lidar com a questão.

Segundo a Acnur, os organismos internacionais e agências humanitárias que hoje estariam lidando com a crise dos refugiados teriam apenas 47% dos recursos necessários para atender a suas "necessidades básicas".

Acredita-se que mais de 100 mil pessoas tenham morrido desde o início do levante contra Assad.

A ação de intervenção que os Estados Unidos e a França defendem seria uma resposta ao que eles dizem ter sido um ataque com armas químicas realizado nos arredores de Damasco, em 21 de agosto.

Segundo Washington, 1429 pessoas teriam morrido na ação, incluindo 426 crianças.

Crianças

O órgão estima que cerca de 5 mil pessoas por dia estão deixando a Síria, um país de cerca de 23 milhões de habitantes.

Cerca de metade dos sírios obrigados a deixar seu país seriam crianças – 75% das quais teriam menos de 11 anos.

Apenas 118 mil crianças refugiadas estariam recebendo algum tipo de educação e um quinto teriam aconselhamento psicológico, segundo a ONU.

Cerca de 97% dos refugiados sírios estão hoje em países vizinhos – o que, segundo a Acnur, pode sobrecarregar suas “infraestrutura, economia e sociedade”.

Só no Líbano, principal destino desses emigrantes, hoje haveria pelo menos um refugiado sírio para cada seis libaneses. Até o fim de agosto, a agência contabilizou 716 mil desses refugiados no país.

Jordânia e Turquia estão em segundo e terceiro lugar no ranking dos países que mais têm recebido refugiados sírios. E o Iraque estaria na quarta posição, tendo recebido 170 mil pessoas.

Uma das maiores ondas de refugiados teria ocorrido em meados de agosto, quando milhares de sírios do nordeste do país cruzaram a fronteira com o Curdistão iraquiano (norte do Iraque).

No seu comunicado, a agência da ONU pediu mais “apoio internacional” para lidar com a questão.

Segundo a Acnur, os organismos internacionais e agências humanitárias que hoje estariam lidando com a crise dos refugiados teriam apenas 47% dos recursos necessários para atender a suas "necessidades básicas".

Acredita-se que mais de 100 mil pessoas tenham morrido na Síria desde o início do levante contra Assad, em 2011.

Ofensiva

O alerta da Acnur é feito em um momento em que os governos da França e dos Estados Unidos pressionam por uma intervenção militar na Síria, alegando que forças do regime de Bashar Al-Assad teriam usado armas químicas contra a população nos arredores de Damasco em 21 de agosto.

Image caption No Líbano, país que mais recebe refugiados sírios, várias famílias são forçadas a dividir um quarto

Segundo Washington, 1.429 pessoas teriam morrido na ação, incluindo 426 crianças.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, o secretário de Estado, John Kerry, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Martin Dempsey, devem comparecer diante do Comitê de Relações Exteriores do Senado em uma tentativa de conseguir respaldo para a intervenção.

O Congresso americano tem prevista uma votação sobre o tema na semana que vem, assim que voltar do atual recesso, em 9 de setembro.

Na segunda-feira, um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado disse a políticos democratas que um voto contra a ação militar seria o "momento Munique " dos EUA – uma referência ao Acordo de Munique de 1938, em que o governo britânico e o francês tentaram o apaziguamento com a Alemanha nazista antes da Segunda Guerra Mundial.

A administração Obama quer obter autorização do Congresso para a ação, que segundo a Casa Branca teria como objetivo prevenir "o potencial para uso futuro de armas químicas ou outras armas de destruição em massa".

Analistas esperam que os planos de intervenção sejam limitados, mas na opinião de Jack Keane, militar aposentado e ex-vice-chefe do Estado Maior das forças armadas dos EUA, esse pode não ser o caso.

Obama já parece ter conquistado o apoio de dois críticos de sua política externa: os senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham.

Na segunda-feira, McCain disse a jornalistas que um voto do Congresso contra o ataque teria consequências "catastróficas " para a credibilidade dos Estados Unidos no exterior.

No mesmo dia, o primeiro-ministro da França, Jean-Marc Ayrault, apresentou um relatório ao Parlamento do país defendendo que o ataque de 21 de Agosto só pode ter sido realizado pelo governo sírio e que envolveu "o uso em massa de agentes químicos".

Notícias relacionadas