As chances de cada cidade de sediar as Olimpíadas de 2020

Premiê japonês Shinzo Abe chega para reunião do COI na Argentina (foto: AP)
Image caption Japão é o favorito na disputa para sediar Jogos Olímpicos de 2020, mas competição é acirrada

Os Jogos Olímpicos têm seu charme. E é com isso em mente que executivos altamente persuasivos de Istambul, Madri e Tóquio estão em Buenos Aires neste sábado para pedir votos aos relutantes membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) - que dizem mais não do que sim nestas ocasiões - para dar-lhes o direito de sediar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2020.

As três cidades são veteranas nesse tipo de disputa, mas apenas Tóquio já foi escolhida para receber a competição, em 1964. Porém foi descartada em duas votações: para os Jogos de 1960, quando a escolhida foi Roma, e 2016, ano em que a competição ocorrerá no Rio.

Madri foi descartada nas votações para as Olimpíadas de 2016 (Rio), 2012 (Londres) e 1972 (Munique).

Maior cidade da Turquia, Istambul concorreu para receber os Jogos de 2008 (Pequim) e 2000 (Sydney).

Istambul

A perspectiva de uma edição dos Jogos em um país muçulmano - na fronteira histórica entre a Europa e a Ásia - foi o suficiente para fazer do coração cultural e econômico da Turquia um azarão, mas ninguém fala em favoritos para esta votação de 7 de setembro.

"Nunca vi uma corrida como essa", disse Robert Livingstone, o historiador olímpico e jornalista por trás do respeitado site GamesBids.com.

"Todas as cidades têm histórias interessantes, mas ninguém se destaca. Há total incerteza."

A candidatura de Istambul tem "prós e contras", afirma Livingstone.

A cidade representa uma novidade, o que é um grande atrativo, tem cenários sedutores, uma economia em ascensão e uma população jovem.

Mas depois de a polícia local tomar a Praça Taksim com balas de borracha, canhões de água e gás lacrimogêneo, em junho, todos passaram a se perguntar quão estável é o país - particularmente com Irã, Iraque e Síria como vizinhos.

As preocupações com o sistema de transportes da caótica (em termos de trânsito) Istambul e alguns casos de má publicidade relacionados a doping antes do Campeonato Mundial de Atletismo, já seriam suficientes, no entanto, para tirar a maior cidade turca da disputa.

Tóquio

A favorita dos apostadores é Tóquio. A cidade também está em vantagem de acordo com o Around the Rings Olympic Bid Power Index e com o BidIndex de Livingstone, dois modelos matemáticos que classificam os méritos de cada lance. Mas estes sinais encorajadores também são vistos com ressalvas.

Tóquio tem finanças sólidas, boa organização e oferta mais compacta em termos de locais. Mas sua campanha ficou um pouco abaixo do esperado em alguns momentos, o que provavelmente está ligado a questões domésticas.

O COI é muito consciente de que alguns vão sempre pensar que os jogos são uma extravagância. É por isso que o comitê gosta de garantir índices de aprovação domésticos o mais alto possíveis no início.

Mas, há um ano, os números de Tóquio eram terríveis. Desde então, houve uma virada e os últimos índices mostram que o apoio para os Jogos está agora em cerca de 90%, embora as primeiras impressões podem ter sido marcantes.

Os membros do COI estão a par da situação dos países. O líder da candidatura de Tóquio, Tsunekazu Takeda, passou a maior parte do último mês garantindo que o vazamento nuclear de Fukushima esteja sob controle.

Falando em Buenos Aires na quarta-feira, Takeda disse: "O nível de radiação é absolutamente seguro. As 35 milhões de pessoas em Tóquio estão vivendo em condições normais. Não há qualquer problema..."

"Nenhuma pessoa em Tóquio foi afetada. Tóquio e Fukushima estão a quase 250 quilômetros de distância."

Takeda provavelmente está certo, e 2020 está a sete anos de distância, mas, como disse o fundador do Around the Rings Olympic Bid Power Index, Ed Hula, ele está errado ao dizer que não é um problema.

"É um fator de risco, o COI tem encoberto até agora", disse Hula.

"Mas se algo desagradável acontecer, as pessoas não vão querer ir. Isso é um problema."

Madri

Experiente em encenar grandes eventos, e com muito boa relação com o COI, a candidatura espanhola é a que requer o mínimo esforço, já que 80% dos seus espaços estão construídos. Isso também torna a oferta mais barata.

Mas, segundo Livingstone, isso não necessariamente é uma vantagem. "O COI não gosta de coisas baratas, gosta de monumentos ao movimento olímpico."

O orçamento pragmático de Madri também chama a atenção para seu calcanhar de Aquiles: a economia cambaleante da Espanha.

"Eu não tenho certeza de como os membros do COI vão se sentir se aceitarem realizar os Jogos em um país em recessão e com números de desemprego ruins", disse Hula.

A candidatura de Madri, para seu crédito, tentou enfrentar essa questão escalando especialistas para assegurar que as perspectivas de longo prazo da economia não são tão ruins. Eles defendem que seu orçamento é factível e que os Jogos podem ser feitos em uma recessão, como Londres provou.

Livingstone acha que a questão econômica poderia ter eliminado Madri na primeira rodada de votação. Depois disso, o jogo muda significativamente.

Um experiente integrante do COI, que ajudou Londres a bater Madri em 2005, disse: "Você não ganha uma disputa assim com seus amigos, você ganha com as pessoas que não gostam de você, em primeiro lugar."

"Londres temia Madri, mas Londres foi melhor em conseguir apoio além do seu núcleo inicial", disse Duncan Mackay, editor do insidethegames.biz.

Boa parte das cartas estão na mesa. Neste sábado, as três cidades fazem suas apresentações finais. E, no fim do dia, o mundo conhecerá a sede dos Jogos Olímpicos de 2020.

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