ONU diz que relatório confirmará ataque químico na Síria

Inspetores da ONU em Damasco
Image caption Inspetores coletaram amostras de sangue e urina para verificar traços de armas químicas

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, adiantou que o relatório sobre a Síria, a ser divulgado na próxima semana, vai confirmar de forma contundente o uso de armas químicas em um ataque há pouco mais de três semanas.

Ban disse em Genebra, na Suíça, que o relatório não tem como objetivo apontar quem são os culpados pelo ataque em Ghouta, nos arredores de Damasco. O chefe da ONU afirmou, no entanto, que o presidente sírio, Bashar al-Assad, é responsável por “crimes contra a humanidade”.

O ataque em Ghouta deixou centenas de mortos. Imagens mostrando crianças intoxicadas correram e chocaram o mundo e abriram um novo capítulo na crise síria, com o anúncio dos Estados Unidos de que irá bombardear instalações do regime para prevenir outros ataques do gênero.

Ante a determinação dos Estados Unidos de liderar um ataque contra Assad, o principal aliado do regime, a Rússia, passou a negociar uma solução diplomática que prevê a entrega do arsenal químico sírio a fim de evitar a intervenção americana.

Os chanceleres da Rússia, Sergei Lavrov, e dos Estados Unidos, John Kerry, estão em Genebra negociando os termos do acordo.

Responsabilidade

Image caption Ban Ki-moon disse que Bashar al-Assad "cometeu crimes contra a humanidade"

Os Estados Unidos e seus aliados acusam o regime sírio de matar centenas durante o ataque em Ghouta. Assad nega.

Ban disse que a ONU apresentará um “relatório contundente de que armas químicias foram usadas”.

Ban fez as declarações durante o Fórum Internacional das Mulheres e, segundo o repórter da BBC Nick Bryant, ele aparentemente não percebeu que sua fala estava sendo transmitida pela TV.

Ban disse que Assad “cometeu muitos crimes contra a humanidade”.

“Estou certo de que haverá um processo de responsabilidade”, disse.

O inspetor-chefe de armas químicas, Ake Sellstrom, confirmou que o relatório já foi concluído. A equipe da ONU recolheu amostras de sangue, urina, do solo, e entrevistou médicos e sobreviventes.

Negociações

Image caption Kerry e Lavrov discutem o plano russo para desarmamento da Síria

As negociações em relação à crise síria tomaram um novo rumo após as declarações há uma semana do secretrário de Estado americano, John Kerry, de que a entrega do arsenal químico de Assad poderia evitar um ataque americano.

A diplomacia russa reagiu imediatamente e costurou um acordo com os sírios, que se comprometeram a aderir à Convenção de Armas Químicas da ONU, que bane esse tipo de armamento.

Os Estados Unidos foram então forçados pelas circustâncias a negociar com os russos uma solução diplomática para a Síria. A reviravolta deu tempo ao governo americano, que aguarda aprovação do Congresso para atacar o regime de Assad.

A Síria se comprometeu a entregar seu arsenal químico um mês após a adesão ao tratado de não-proliferação. Os Estados Unidos reagiram e discordaram e agora negociam com os russos uma saída para o impasse.

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