Partidos fazem último apelo por votos em eleições alemãs

Cartazes de apoio à chanceler Angela Merkel (Getty)
Image caption Angela Merkel é favorita, mas vantagem de sua coalizão é apertada

Candidatos alemães fizeram neste sábado sua última tentativa de conquistar o voto dos eleitores, na véspera das eleições parlamentares do país mais rico da União Europeia.

A chanceler (premiê) Angela Merkel desponta como favorita para obter um terceiro mandato, mas pesquisas recentes indicam uma vantagem apertada de sua coalizão de democratas cristãos e liberais democratas sobre a soma de votos esperada para a oposição.

Ante expectativas por uma alta taxa de abstenção do eleitorado, Merkel e seu principal adversário - o social-democrata Peer Steinbrueck - foram às ruas para os últimos comícios antes do pleito.

"Peço ao povo da Alemanha que me dê um mandato forte, para que eu possa continuar a servir o país por mais quatro anos, por uma Alemanha mais forte - um país que é respeitado na Europa, defende seus interesses mas também é amigo de diversas nações", disse Merkel para simpatizantes em Berlim.

E Steinbrueck tentou angariar votos em evento de campanha na cidade de Kassel.

Outros candidatos ao Legislativo têm ido de porta em porta de cidades alemãs nos últimos dias, inpirados pelas estratégias de campanha do americano Barack Obama para minimizar os perigos da alta abstenção.

Tempos turbulentos

Durante os oito anos de governo de Merkel, a chanceler conseguiu - ainda que despertando críticas em diversos países europeus - proteger a Alemanha da crise financeira global e evitar até o momento o colapso do euro, aponta o editor de Europa da BBC, Gavin Hewitt.

Se for de fato reeleita, será a terceira líder a ter sobrevivido a tempos tão turbulentos na Alemanha pós-guerra - antes dela, apenas Helmut Kohl e Konrad Adenauer obtiveram três mandatos.

Mas Merkel e seus estrategistas de campanha permanecem cautelosos. Ainda que seu partido, a CDU (aliado a seu braço na Baviera, CSU) deva, segundo pesquisas, obter o maior número de votos, não há garantias de que sua coalizão obterá maioria no Parlamento.

Nesse caso, ela terá de considerar a hipótese de compor um governo com os sociais-democratas de Steinbrueck.

Europa

As eleições na Alemanha têm especial relevância à Europa: O país é indispensável dentro da política europeia e nenhuma grande decisão é tomada sem a participação alemã.

Mas a campanha eleitoral não reflete isso. Os políticos alemães parecem relutantes em debater o papel da Alemanha na Europa e o futuro do continente, explica Gavin Hewitt.

Outros debates – como a obrigatoriedade de um dia sem carnes nos menus das cantinas públicas – estão gerando mais interesse do que os pacotes de ajuda da União Europeia.

A oposição ataca o governo de Merkel dizendo que a Alemanha virou um país de baixos salários e mão de obra pouco qualificada. O assunto Europa não empolga nem os opositores.

Já Merkel ignora o tema de propósito. Ela é a política mais popular na Alemanha, com índice de aprovação de 60%, depois de oito anos no poder.

Ela é – segundo sua campanha oficial – uma opção segura para liderar a Alemanha. Seu estilo deliberadamente cauteloso e prudente agrada o humor alemão. A economia do país é seu principal trunfo, com o índice de desemprego mais baixo das últimas duas décadas.

Efeitos da crise

A crise econômica europeia não trouxe tantos prejuízos à Alemanha e até ajudou a reequilibrar alguns laços comerciais. O volume de comércio com parceiros europeus desabou, mas cresceu com o resto do mundo.

Enquanto as exportações para a Itália caíram 10% desde 2008, as exportações para os Estados Unidos e a China aumentaram.

Segundo uma pesquisa recente da entidade Open Europe Berlin, 52% dos eleitores alemães não querem maior envolvimento da Alemanha com a Europa.

Mas Merkel segue comprometida com o euro. Para ela, a defesa do continente e da moeda única é fundamental para os interesses alemães.

No entanto, seu tom mudou. Hoje em dia, ela já não fala em "mais Europa".

Há sinais de que ela é contra a transferência de mais poderes nacionais para a Comissão Europeia.

Image caption Angela Merkel e Peer Steinbrueck são principais candidatos a premiê na Alemanha

Tudo indica que, após as eleições, qualquer que seja o resultado a Alemanha não mudará radicalmente sua postura. A política segue sendo de apoiar a integração, insistir em reformas e manter a solidariedade com os afetados pela crise.

Eleições regionais

O resultado das eleições estaduais da Baviera, realizadas no domingo passado, trouxe boas e más notícias para a campanha de Angela Merkel.

Os políticos aliados ao CSU — partido conservador que representa Merkel na Baviera — tiveram boa votação e conquistaram a maioria absoluta.

"Um em cada dois bávaros votou em nosso partido", disse o líder do CSU, Horst Seehofer. Isso dá bastante ímpeto para a campanha nacional de Merkel.

Em um comício, Seehofer disse que a Baviera é "a porta para o paraíso". Há 56 anos o CSU domina o Estado.

Mas nem tudo deu certo para Merkel no domingo passado. O principal aliado da chanceler, o Partido Liberal Democrata (FDP), sofreu um "duro golpe", segundo seu próprio líder. Com apenas 3% dos votos, o partido ficou de fora do Parlamento estadual bávaro, por não obter o percentual mínimo necessário, segundo a lei eleitoral alemã.

Image caption Partido de Angela Merkel deve ter boa votação, mas há dúvidas sobre parceiros de coalizão

Se esse resultado se replicar em nível nacional na próxima semana, Angela Merkel perderia um de seus principais aliados na coalizão que governa a Alemanha. E isso pode alterar todo o equilíbrio político.

Alguns eleitores de Merkel podem acabar votando no FDP apenas para fazer com que eles superem os 5% dos votos, necessários para se manter no Parlamento. Mas essa estratégia é arriscada e pode prejudicar o CDU, sigla de Merkel.

"Quem quer Angela Merkel deve votar em Angela Merkel", disse o vice-líder do CDU, Armin Laschet, desestimulando o "voto tático" dos conservadores.

Mas o líder do FDP alerta que caso seu partido não consiga entrar no Parlamento, a porta estará aberta para uma aliança entre os partidos Social Democrata (SPD) e Verde – ambos de esquerda, que fazem oposição a Merkel.

Sem o FDP, provavelmente Merkel poderia ser forçada a propor uma "grande coalizão", que incluiria o partido de oposição SPD. Os Social Democratas, entretanto, descartam esse tipo de coalizão.

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