Grupo somali assume ataque que matou ao menos 39 em shopping no Quênia

Policiais acompanham saída de civis do shopping center Westgate
Image caption Centenas de civis conseguiram deixar o shopping center sem ferimentos após o ataque

Ao menos 39 pessoas morreram e mais de 150 ficaram feridas neste sábado por atiradores que invadiram um shopping center em Nairóbi, no Quênia, segundo o presidente do país, Uhuru Kenyatta.

Um alto comandante do grupo militante islâmico somali Al-Shabab assumiu à BBC a autoria do ataque.

Até o início da madrugada deste domingo (início da noite em Brasília), as forças de segurança quenianas ainda faziam buscas no shopping center em busca dos responsáveis pelo ataque.

O Al-Shabab já havia ameaçado no passado atacar o shopping Westgate, frequentado pela elite de Nairóbi e pela comunidade estrangeira da cidade. O grupo vem promovendo uma série de ataques no Quênia desde 2011, quando tropas quenianas entraram no sul da Somália para combater os militantes no país vizinho.

Uma testemunha, que falou à BBC por telefone de dentro do centro comercial, disse que o local parecia "uma zona de guerra".

"Eu e minha mulher havíamos saído do banco do shopping e estávamos sentados em um café quando, de repente, ouvimos tiros sendo disparados do térreo e do primeiro piso", disse Surajit Borkakoty.

Em um pronunciamento na TV, Kenyatta afirmou que as forças de segurança estavam "no processo de neutralizar os responsáveis pelo ataque e de garantir a segurança do shopping".

"Caçaremos os responsáveis em qualquer lugar para onde eles corram. Vamos pegá-los e puni-los por esse crime hediondo", afirmou o presidente.

Ele disse ter perdido membros de sua própria família no ataque ao shopping Westgate.

Uma autoridade policial local afirmou à agência de notícias Reuters que os atiradores que permaneciam no shopping montaram uma barricada dentro de um supermercado.

Cenas de pânico

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Os atiradores entraram no shopping por volta das 12h (5h de Brasília), atrirando granadas e disparando com fuzis automáticos.

Centenas de frequentadores do shopping conseguiram fugir do local, mas alguns ficaram presos do lado de dentro.

Arjen Westra, que tomava café no shopping no momento do ataque, disse à BBC ter visto cenas de pânico no local.

"Eu podia ouvir o barulho de tiros se movendo na direção da entrada principal do shopping center, então algumas pessoas saíram correndo do café, em pânico, e muitas se jogaram ao chão", disse.

O analista de segurança da BBC Frank Gardner diz que uma fonte dos serviços de segurança contou a ele que ao menos um dos atiradores era uma mulher, que parecia ter algum posto de liderança no grupo.

Segundo Gardner, no início da madrugada local ainda era incerto o número de civis que poderiam estar no shopping como reféns dos militantes e quantos estariam escondidos.

Cerca de sete horas após o início do ataque, o Al-Shabab disse em sua conta no Twitter que seus combatentes ainda enfrentavam as forças de segurança quenianas dentro do shopping Westgate.

O grupo afirmou ainda pela internet que o governo queniano teria a intenção de negociar o fim do cerco ao shopping, mas as autoridades afirmaram à BBC que pretendem caçar todos os responsáveis pelo ataque.

Um dos atiradores teria sido ferido e preso e morreu posteriormente por conta de seus ferimentos, segundo afirmaram autoridades locais à BBC. Outros quatro atiradores foram presos.

Estrangeiros

Image caption Especialistas em segurança vinham há tempos advertindo para risco de ataque terrorista em shopping

Especialistas em segurança teriam advertido há tempos que o shopping center, que é ao menos em parte de propriedade israelense, estaria sob risco de um ataque terrorista.

Testemunhas ouvidas pela agência de notícias France Presse afirmaram que os atiradores falavam árabe ou somali.

Outras testemunhas ouvidas por outras agências disseram que eles permitiram que os muçulmanos deixassem o local e disseram que seus alvos eram os não muçulmanos.

Vários estrangeiros podem estar entre as vítimas do ataque. Segundo o superintendente do necrotério de Nairóbi, Sammy Nyongesa Jacob, havia africanos, asiáticos e caucasianos entre os corpos que chegaram ao local.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos disser ter relatos de que cidadãos americanos estariam entre os feridos no que chamou de "ato de violência sem sentido".

A Presidência da França afirmou que dois cidadãos franceses estavam entre as vítimas do ataque, e o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, afirmou que "sem dúvidas" haveria cidadãos britânicos afetados pelo ataque.

O primeiro-ministro do Canadá, Sttephen Harper, confirmou que dois cidadãos de seu país, incluindo um diplomata, estão entre os mortos.

Este foi o pior ataque no Quênia desde a explosão do prédio da Embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, em 1998, que matou mais de 200 pessoas.

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