Americanos e britânica estariam entre militantes, diz ministra do Quênia

Image caption A ministra disse que não foi feito o suficiente pare evitar os acontecimentos dos últimos dias

A ministra das Relações Exteriores do Quênia disse em entrevista ao canal americano PBS que uma mulher britânica e "dois ou três" cidadãos americanos estariam entre os militantes islâmicos que atacaram um shopping em Nairóbi.

Amina Mohamed disse ainda que autoridades de todos os países devem aumentar seus esforços e que os acontecimentos em Nairóbi mostram que "não foi feito o suficiente" para evitar esse tipo de atentado.

"Nós precisamos trabalhar mais em conjunto, com todos, mas principalmente com os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha."

"Porque, como você sabe, tanto as vítimas, quanto os autores do ataque, vieram do Quênia, dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha."

Segundo a ministra, ela teria recebido informações de que haveria um cidadão britânico envolvido no ataque, e que este seria uma mulher.

"Eu acho que ela fez isso (participar de um ataque) várias vezes anteriormente."

Viúva

O correspondente da BBC em Nairóbi Mike Wooldridge disse que os comentários da ministra contribuíram para especulações da mídia sobre o possível envolvimento de Samantha Lewthwaite, viúva de um dos autores dos atentados no sistema de transporte de Londres no dia 7 julho de 2005.

No entanto, oficiais britânicos disseram que as investigações ainda não foram concluídas e que é cedo para confirmar a identidade dos autores do ataque no país africano.

Sabe-se que Samantha estava na África Oriental e que vinha sendo procurada pela polícia queniana por supostas ligações com uma célula terrorista que planejava um ataque a bomba na costa do país.

Sobre os americanos que estavam entre os militantes, a ministra disse que seriam "homens jovens", entre 18 e 19 anos, de origem somali ou árabe, que moravam no Estado americano de Minnesota e "um outro lugar".

Estágios finais

Os comentários da ministra pareceram contradizer anúncios feitos anteriormente pelo ministro do Interior do Quênia, Joseph Ole Lenku, que sugeriu que todos os responsáveis pelo ataque eram homens e que alguns estariam vestidos com roupas de mulher.

A Cruz Vermelha do Quênia disse à BBC que 51 pessoas permanecem desaparecidas. Pelo menos 62 pessoas foram mortas e mais de 170 feridas.

Nesta terça-feira, um oficial queniano no local disse acreditar que poderiam haver dois ou três militantes ainda no interior do shopping.

Segundo o Ministério do Interior, todos os reféns foram libertados. As autoridades quenianas disseram anteriormente que três "terroristas" foram mortos e que 10 pessoas haviam sido presas.

Entre 12 e 15 militantes invadiram o centro de Westgate, no sábado, jogando granadas e atirando sobre os clientes e funcionários.

Entre os mortos, pelo menos 18 eram estrangeiros, incluindo britânicos, franceses, canadenses, holandeses, australianos, peruanos, indianos ganenses, sul-africanos, e chineses.

O movimento islâmico somali Al-Shabab diz que realizou o ataque em retaliação a operações militares quenianas na Somália.

O ministro do Interior disse à BBC na noite de segunda-feira que a operação continuaria durante a noite, mas ressaltou que estava em seus estágios finais.

"Os terroristas poderiam estar correndo e se escondendo em algumas lojas, mas agora todos os andares estão sob nosso controle", disse ele. "Não há espaço para a fuga."

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