Rússia diz ter achado drogas em navio do Greenpeace onde estava brasileira

Navio do Greenpeace retido na Rússia (Getty)
Image caption Bióloga brasileira está entre os ativistas do Greenpeace detidos na Rússia

Investigadores russos alegaram nesta quarta-feira terem encontrado drogas em um navio do Greenpeace retido durante um protesto em uma plataforma petroleira no Ártico em 18 de setembro, a bordo do qual estava a ativista brasileira Ana Paula Maciel.

"Durante uma busca no navio, foram confiscadas drogas (aparentemente morfina e palha de papoula)", disse o comitê investigativo do país.

A papoula pode ser usada para produzir morfina ou heroína.

Em comunicado, o Greenpeace disse ser uma "calúnia e uma invenção" a acusação de que o navio carregaria drogas ilegais.

"Podemos apenas deduzir que as autoridades russas estão se referindo aos suprimentos médicos que nossos navios são obrigados a levar sob a lei marítima", disse a ONG.

"Há uma rígida norma contra (a posse) de drogas recreacionais em navios do Greenpeace, e deve ser vista com grande desconfiança qualquer acusação de que foram encontrados suprimentos que não sejam médicos", prossegue o comunicado.

"Antes de partir da Noruega rumo ao Ártico russo, o navio foi revistado por cães farejadores das autoridades norueguesas, como é padrão. As leis da Noruega estão entre as mais rígidas do mundo, e nada foi encntrado porque não havia nada ilegal no navio."

Ativistas

Cerca de trinta pessoas foram detidas no episódio, algumas indiciadas por "pirataria" - entre elas, a bióloga brasileira Ana Paula Maciel -, depois que os ativistas tentaram escalar a plataforma petroleira russa.

A detenção do grupo, de 18 nacionalidades diferentes, despertou preocupações diplomáticas internacionais.

Representantes dos países de origem dos ativistas procuram negociar a liberação dos ativistas. A Holanda exigiu a libertação imediata dos prisioneiros, que aguardam julgamento detidos no porto de Murmansk (norte do país), e do navio Arctic Sunrise, que é de bandeira holandesa.

O Itamaraty também já foi acionado para lidar com o caso de Ana Paula Maciel.

Nesta quarta-feira, segundo o Greenpeace, foi protocolada uma carta de Rosângela Maciel, mãe de Ana Paula, para a presidente Dilma Rousseff, solicitando que a presidente intervenha no caso. A carta sugere que Dilma peça ao presidente russo Vladimir Putin que sua filha seja libertada.

O presidente do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo, escreveu a Putin se oferecendo para ser detido em troca dos ativistas e pedindo que as acusações de pirataria sejam descartadas por "não fazerem sentido".

Em comunicado, o comitê investigativo russo disse que as acusações contra alguns dos ativistas poderiam mudar ante as "provas" encontradas no navio.

Além do suposto carregamento de drogas, "equipamentos de propósito duplo" foram achados no Arctic Sunrise, dizem as autoridades, alegando que tais equipamentos - não especificados - "poderiam não ser usados apenas para fins ecológicos".

O comitê russo diz querer apurar quais dos ativistas foram responsáveis por enfrentar navios da guarda costeira russa.

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