Em exílio, Khodorkovsky diz que lutará por outros presos

Mikhail Khodorkovsky | Foto: AFP
Image caption Magnata diz que se afastará da política e que não busca 'vingança' de Putin

Para um homem que acaba de passar 10 anos na prisão por um crime que diz não ter cometido, Mikhail Khodorkovsky parece bastante calmo e composto.

Se ele sentia raiva, não o demonstrou. Ele disse que seu relacionamento com o presidente Vladimir Putin era pragmático e não envolvia coisas como vingança e ódio.

Ele afirmou ainda que estava agradecido pelo fato de sua família ter sido deixada em paz enquanto ele estava na prisão, e parece ter desistido de quaisquer ambições políticas que possa ter tido.

"A luta pelo poder não é para mim", ele disse em uma coletiva de imprensa, mas afirmou que continuaria a lutar pela liberdade de prisioneiros políticos na Rússia e em outros lugares do mundo.

Agora ele está realmente em exílio. Perguntado se voltaria à Rússia, ele deixou claro que não tinha nenhuma intenção de fazê-lo no momento, por "não ter garantia" de que poderia deixar o país novamente.

Ele afirmou também só ter descoberto que seria libertado quando, às 02 da manhã, um comandante o informou. E só descobrir que iria para Berlim quando viu o avião alemão no aeroporto.

Modernizador

Mikhail Khodorkovsky é um dissidente complexo. Ele ganhou seu dinheiro durante os inescrupulosos anos 1990, construindo um império de bancos e petróleo.

Por essa razão, ele não é amado por todos na Rússia. Muitos o vêem como parte de uma gangue que roubou os recursos da Rússia enquando a União Soviética se desintegrava.

Mas no início dos anos 2000, ele tentou ser pioneiro na modernização dos negócios russos, encorajando mais democracia no país.

Foi quando ele começou a financiar grupos de oposição - e quando responsabilizou abertamente o presidente Putin pela crescente atmosfera de corrupção que rodeava o Kremlin - que o magnata caiu em desgraça.

Image caption Libertação de presos políticos pode ser tática do governo antes dos Jogos de Sochi

Outros oligarcas se afastaram da política ou deixaram o país, mas Mikhail Khodorkovsky não fez isso, e acabou na prisão.

Grupos de direitos humanos dizem que seus 10 anos preso e sua libertação repentina mostram quão frágil é a lei na Rússia. O aprisionamento ainda é uma ferramenta na política do Kremlin, apesar de que alguns dizem que Putin passou a usá-la menos.

O líder da oposição Alexei Navalny, os ativistas do Greenpeace - e logo os membros da banda Pussy Riot - foram todos libertados nos últimos meses.

A especulação é de que a anistia seja parte de uma tentativa de livrar as prisões russas de casos controversos antes da Olimpíada de Inverno de Sochi, em fevereiro de 2014.

Quando perguntado se apoiaria um boicote aos Jogos de Sochi, Khodorkovsky disse que não gostaria de estragar o que deveria ser uma celebração do esporte. Mas alertou que o evento não deve se transformar em celebração de um homem - o presidente Vladimir Putin.

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