Rússia anistia ativistas, e brasileira aguarda visto para deixar país

Ativistas do Greenpeace na Rússia (AFP)
Image caption Os ativistas haviam sido detidos após protesto em setembro no Ártico

As autoridades russas cancelaram nesta quarta-feira todas as acusações contra 29 dos 30 ativistas e jornalistas ligados à organização ambientalista Greenpeace que haviam sido presos depois de um protesto realizado contra a exploração de petróleo no Mar Ártico, no dia 18 de setembro.

Com isso, fica aberto o caminho para que os ativistas, entre eles a brasileira Ana Paula Maciel, possam voltar para casa. Para tanto, ela e os demais 25 não russos do grupo aguardam a emissão de um visto de saída.

Os 28 ativistas e dois jornalistas freelancer foram presos em setembro devido ao protesto no qual alguns deles tentaram subir em uma plataforma de petróleo da empresa russa Gazprom.

Eles foram inicialmente indiciados por pirataria, acusação mudada depois para vandalismo, e respondiam ao processo em liberdade sob fiança.

Anistia

Na terça-feira, um membro do grupo do Greenpeace, Anthony Perrett, já havia sido beneficiado pelo encerramento da investigação sobre ele.

Os ativistas foram convocados para uma audiência de um Comitê de Investigação, onde a ação criminal contra eles foi suspensa.

O único manifestante que não foi beneficiado pela Anistia é o italiano Cristian D’Alessandro, por causa da ausência de tradutores para o italiano na audiência. Ele deve permanecer no país pelo menos até janeiro.

Image caption Ana Paula Maciel aguarda visto para poder voltar para o Brasil

A anistia aos ativistas faz parte de uma ampla medida aprovada pelo Parlamento Russo que beneficia cerca de 20 mil detentos do país.

Nos últimos dias, já haviam sido libertados na Rússia o ex-magnata do setor de petróleo Mikhail Khodorkovsky e duas integrantes da banda de rock Pussy Riot, todos conhecidos pela oposição ao presidente Vladimir Putin.

Oficialmente, a Anistia foi motivada pelo vigésimo aniversário da Constituição russa, mas, de acordo com o correspondente da BBC na Rússia Daniel Sandford, acredita-se que o interesse em melhorar a imagem internacional do país às vésperas da Olimpíada de Inverno na cidade russa de Sochi, em fevereiro, tenha sido o real motivo.

Alívio

“Este é o dia que estávamos esperando desde que nosso navio Arctic Sunrise foi ocupado por forças Armadas, mais de três meses atrás”, disse o capitão do navio do Greenpeace que levava os ativistas.

“Estou feliz e aliviado que as acusações tenham sido derrubadas, mas não deveríamos ter sido acusados de nada.”

Vladimir Putin disse que a resposta da Rússia ao protesto deve ser encarada como uma lição, e que a Rússia adotaria medidas mais duras para proteger o desenvolvimento do Ártico.

As autoridades russas alegam ainda que os ativistas colocaram suas próprias vidas em risco durante a manifestação, que o Greenpeace disse ter sido pacífica.

Tanto o navio dos ambientalistas quanto equipamentos que eles levavam na viagem continuam em poder das autoridades russas.

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