Forças do governo avançam no Sudão do Sul apesar de morte de general

Soldados do Exército do Sudão do Sul (AFP/Getty)
Image caption Os combates nos arredores de Bor ocorrem entre dois exércitos treinados, diz correspondente da BBC

As forças do governo do Sudão do Sul avançaram mais neste domingo em direção à cidade de Bor, considerada estratégica, apesar de sofrer um ataque dos rebeldes que matou um general do Exército.

O repórter da BBC Alastair Leithead está acompanhando o comboio com os soldados do governo que saiu da capital, Juba, neste domingo, quando eles foram atacados a cerca de 25 quilômetros de Bor.

O general no comando, cujo nome não foi divulgado, foi morto na emboscada.

Os combates continuam no país enquanto os dois lados estão reunidos na Etiópia para tentar fechar um cessar-fogo.

A crise no país começou no dia 15 de dezembro depois que o presidente, Salva Kiir, acusou o ex-vice-presidente Riek Machar de tentar um golpe de estado no país, o que Machar nega.

No entanto, os rebeldes são liderados por Machar, que foi demitido do cargo de vice-presidente em julho pelo próprio Kiir.

O presidente Kiir pertence à etnia dinka, a mais numerosa do país, enquanto Machar é do grupo nuer, o segundo maior.

No passado, houve conflito entre as etnias, e a disputa política entre o presidente e seu vice, agora foragido, pode, segundo analistas desembocar em uma guerra étnica.

Pelo menos mil pessoas foram mortas e cerca de 200 mil tiveram que fugir durante o conflito.

Reforços

O governo está enviando reforços militares nos últimos dias para retomar Bor.

Uma divisão inteira do Exército do Sudão do Sul se juntou aos rebeldes, então os combates em Bor envolvem dois exércitos treinados, segundo o correspondente da BBC.

Alastair Leithead afirmou ainda que os combates estão intensos e tanques incinerados podem ser vistos à beira das estradas.

Os combates também continuam em outras áreas. O porta-voz do Exército Philip Aguer afirmou que ocorreram confrontos nos Estados produtores de petróleo no norte do país.

Quanto às negociações de paz em Adis Abeba, capital da Etiópia, parecem estar atrasadas. Até sexta-feira, elas estavam sendo conduzidas por mediadores.

Agora, equipes representando as facções opositoras devem negociar pessoalmente.

Uma reunião preliminar no sábado tentou tratar de questões como um cessar-fogo e a exigência dos rebeldes de libertação do que eles afirmam ser prisioneiros políticos.

Mas estas negociações não continuaram neste domingo, atrasadas por falta de acordo a respeito da programação e, de acordo com uma autoridade, "questões de protocolo".

Agora, todos esperam que as negociações sejam retomadas nesta segunda-feira.

O Sudão do Sul é o mais novo país do mundo, votou pela independêndia em 2011, e faz fronteira com seis países da África Central.

O país é rico em petróleo, mas após décadas de guerra civil é também uma das regiões menos desenvolvidas do planeta - apenas 15% dos cidadãos têm telefone celular e há poucas estradas de asfalto em uma área maior do que a Espanha e Portugal juntos.

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