Ministro evita dar detalhes sobre conversa com EUA sobre espionagem

Luiz Alberto Figueiredo. AFP Direito de imagem AFP
Image caption “O lado americano sabe exatamente e perfeitamente o que nós queremos”, disse Figueiredo

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, se reuniu nesta quinta-feira com uma assessora direta do presidente americano, Barack Obama, para discutir a espionagem dos serviços secretos americanos.

Durante o encontro, a conselheira da Casa Branca para a Segurança Nacional, Susan Rice, apresentou as conclusões da revisão do monitoramento eletrônico encomendada por Obama. Ela também detalhou as as reformas que serão implementadas segundo instruções que o presidente indicou em um discurso no último dia 17.

Falando com jornalistas após o encontro, em Washington, o ministro brasileiro se esquivou de entrar em detalhes sobre o conteúdo da conversa de 43 minutos com Susan Rice. Disse apenas que se inseriu no “processo de esclarecimento” que ambos os lados têm conduzido desde as revelações de que a presidente Dilma Rousseff estivera entre os alvos das agências.

“Não posso falar sobre o conteúdo do que foi conversado. Isso faz parte de um processo. As explicações serão analisadas pelo governo brasileiro e a presidenta Dilma vai decidir sobre os próximos passos”, afirmou o ministro.

O governo americano convidou o ministro para vir a Washington a fim de “atualizar” o governo brasileiro “em primeira mão” sobre medidas que podem contribuir para normalizar as relações após os escândalos.

Entre elas está a inclusão de cidadãos estrangeiros no mesmo sistema de proteção legal em termos de privacidade de que gozam os cidadãos americanos, e a submissão do monitoramento de alvos politicamente sensíveis – como chefes de Estado estrangeiros – a revisões periódicas mais rigorosas.

Figueiredo evitou indicar se estas medidas satisfariam a presidente Dilma Rousseff, que cancelou uma visita de Estado marcada para outubro do ano passado por conta do escândalo.

O ministro também não esclareceu se o governo brasileiro ainda têm demandas específicas sobre esse tema – por exemplo, se a presidente ainda espera um pedido de desculpas reivindicado após as revelações.

“O lado americano sabe exatamente e perfeitamente o que nós queremos dele”, disse o chanceler. Figueiredo acrescentou que existem “outros conteúdos” nas negociações, que estão igualmente balizando as reações do Brasil.

Obama pede confiança

Sem mencionar países específicos, Obama disse em seu discurso que “não vamos pedir desculpas simplesmente por nossos serviços (de inteligência) serem mais efetivos (que os dos outros países)”.

“Mas chefes de Estado e de governo com quem trabalhamos de perto, e de cuja cooperação dependemos, podem confiar que os trataremos como verdadeiros parceiros”, afirmou o presidente americano.

O governo americano mantém o convite para que a presidente Dilma Rousseff venha a Washington em caráter de Estado quando os dois países estiverem em condições políticas de avançar em outros temas da relação.

“Os EUA e o Brasil são parceiros estratégicos que compartilham profundos laços comerciais e culturais”, enfatizou um comunicado da Casa Branca após o encontro de Rice e Figueiredo.

“Os dois países realizam consultas periódicas em um variado leque de temas bilaterais, regionais e globais.”

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