FMI vê vizinhos da Argentina preparados contra instabilidade no país

Economia brasileira. Reuters Direito de imagem REUTERS

A instabilidade econômica na Argentina não terá tanta facilidade para cruzar a fronteira e atingir os países vizinhos como no passado, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). A diversificação de parceiros comerciais de Brasil, Uruguai e Paraguai dificulta o alastramento da crise, de acordo com o fundo.

"Nos últimos anos a dependência mútua entre Brasil e Argentina diminuiu muito. A exportação de matérias-primas para a Ásia deixou em segundo plano as relações comerciais entre as duas grandes do Mercosul", disse diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental, Alejandro Werner.

A instabilidade econômica na Argentina, agravada nesta semana pela desvalorização do peso e pelo anúncio de novas medidas monetárias no país, dominou o briefing do economista mexicano.

Werner disse que mesmo economias menores, como Uruguai e Paraguai, com estreita ligação com a Argentina, devem passar ao largo da crise no país vizinho, sem grandes solavancos.

"Esses dois países diversificaram suas economias e construíram mecanismos (de política econômica)" ao longo dos últimos anos que os deixaram mais resistentes, disse Werner. "As reservas uruguaias são uma das maiores da região se fizermos a comparação com o tamanho do seu PIB."

Crescimento

Werner afirmou que a América Latina vê um "processo gradual de recuperação" econômica, mas alerta para um ano de "volatilidade" na região, com a retirada dos estímulos econômicos nos Estados Unidos.

Segundo o FMI, a América Latina deve crescer em média 3% em 2014, pouco mais que a expansão registrada em 2013 (2,6%). Para o Brasil, a previsão é de 2,3% para 2014.

"O aumento da demanda mundial é um fator importante nessa ligeira recuperação do crescimento", disse Werner, lembrando que a região é grande exportadora de commodities, sobretudo para a China.

"Mas a volatilidade será um fator relevante nas economias desenvolvidas e emergentes", disse o economista mexicano, em um encontro com jornalistas em Washington.

Parte dessa volatilidade, sentida sobretudo entre os emergentes, é creditada à retirada gradual de estímulos à economia americana por parte do Federal Reserve (o Fed, o Banco Central americano).

Na última semana, a Turquia aumentou a taxa de juros de 4,5% para 10%. Brasil, África do Sul e Índia também viram sua moedas desvalorizarem, mas o caso mais crônico é o da Argentina, onde o governo anunciou uma grande desvalorização do peso.

Werner disse que "há um processo gradual de recuperação" econômica na América Latina, que viu seu índice de crescimento baixar o ritmo nos anos pós-crise, depois de uma década de bonança.

"Se os EUA começam um processo de recuperação, estão em condições de puxar o crescimento", disse. "A zona do euro também começa a crescer em 2014."

"Mas parte do mundo terá alguma incerteza com a política monetária dos EUA, com a retirada gradual dos estímulos. E por outro lado, na China, também vemos alguma desaceleração", alerta Werner.

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