Francês condenado por torturar gato diz ter sido 'idiota'

Veterinária cuida de Oscar | Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Gato foi arremessado contra um muro e sofreu fraturas

Um homem foi condenado na França a um ano de prisão em regime fechado por ter torturado um gato.

Farid Ghilas, de 24 anos, mora em Marselha, no sul da França, e foi filmado arremessando várias vezes um gato contra um muro na rua.

O acusado chegou a compartilhar em sua página no Facebook o vídeo mostrando a agressão contra o animal, o que causou uma onda internacional de protestos na internet.

Ghilas foi detido na sexta-feira, logo após a publicação do vídeo nas redes sociais, e julgado rapidamente pelo tribunal penal de Marselha na segunda-feira.

"Eu não sei por que fiz isso. Dei uma de idiota, eu lamento. Não farei mais isso, prometo", afirmou o acusado durante o julgamento.

Ele negou que seu ato tenha sido premeditado. "Estava andando pela rua com outro jovem e vi o gato. Ele veio em minha direção e veio a ideia (de atirá-lo contra o muro). Não pensei em nada", disse Ghilas.

'Perversidade'

O vídeo o mostra arremessando o gato cada vez mais alto e mais longe. O animal se espatifa várias vezes na calçada.

"Ele agiu com uma perversidade particular e um sadismo acentuado que chocaram o planeta. Ele mostrou não ter nenhuma barreira moral e ser um sádico frio", argumentou o procurador Emmanuel Merlin durante o julgamento.

"Os animais não são vulgares objetos, mas sim seres vivos dotados de sensibilidade", acrescentou o procurador.

Ghilas, segundo a imprensa francesa, já havia sido condenado oito vezes pela Justiça e já cumpriu pena de prisão por atos com uso de violência.

O gato, um animal de cinco meses chamado Oscar, foi identificado por seu proprietário após a divulgação das imagens. Ele sofreu fraturas e será operado.

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Image caption Ativistas pelo direito dos animais pediram "pena exemplar" a Ghilas

A polícia militar francesa agradeceu, em sua conta no Twitter, a mobilização dos internautas e suas inúmeras mensagens de indignação contra a tortura do gato, que permitiram, diz a polícia, a rápida identificação do agressor.

Protesto

Mais de 200 defensores dos animais se reuniram em frente ao tribunal de Marselha com gatos e cachorros no dia do julgamento para pedir a prisão do agressor.

Associações de defesa de animais também participaram do processo contra Ghilas. A Fundação Brigitte Bardot prestou queixa por "ato de crueldade e tortura grave".

Uma petição online contra Ghilas recolheu mais de 100 mil assinaturas. Páginas no Facebook também foram criadas para protestar contra o acusado.

O código penal francês pune severamente os autores de atos de crueldade contra animais. As penas previstas são de até dois anos de prisão e multa de 30 mil euros (quase R$ 100 mil).

"Mas até então, os juízes sempre foram clementes em suas decisões. A maioria dos processos foi arquivada ou resultou na absolvição dos acusados", afirma Jean-Marc Neumann, advogado e vice-presidente da Fundação Direito do Animal.

"Nos casos de condenação, os juízes aplicavam multas de baixo valor (entre 500 e 1 mil euros – de R$ 1,6 mil a R$ 3,3 mil), mas nunca penas de prisão", disse o advogado ao jornal Le Monde.

Segundo o jornal Le Parisien, os internautas continuam mobilizados em relação ao caso e tentam identificar um outro envolvido: a pessoa que filmou a agressão do gato com seu telefone celular.

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