Copiloto foi quem fez último contato antes de avião desaparecer

Crianças escrevem mensagens de apoio a passageiros e tripulantes de voo desaparecido MH3700, da Malaysia Airlines, no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Membro da cabine de comando teria dito 'tudo bem, boa noite', após sistema de comunicação já estar desativado

O presidente da Malaysia Airlines, Ahmad Jauhari Yahy, disse em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira que as investigações apontam que o copiloto foi o autor do último contato com os controles de tráfego aéreo antes do voo MH370 desaparecer com 239 pessoas a bordo.

Os investigadores estão avaliando a possibilidade da tripulação da aeronave estar envolvida no sumiço da aeronave.

O avião decolou de Kuala Lumpur rumo à Pequim à 00h40 do dia 8 de março no horário local (13h40 de 7 de março no horário de Brasília) e desapareceu à 1h21 (hora local).

No momento de seu desaparecimento, a aeronave sobrevoava o Mar do Sul da China, no Sudeste Asiático.

'Tudo bem'

A última mensagem foi enviada quando o avião entrava no espaço aéreo vietnamita e dizia "tudo bem, boa noite". Não se sabe, no entanto, se ela foi enviada antes ou depois de um dos sistemas de rastreamento da aeronave serem desligados.

Segundo Yahy, a última transmissão do sistema ACARS, que permite aos computadores do avião "conversar" com os computadores em solo, transmitindo informações sobre o funcionamento da aeronave, ocorreu à 1h07.

"Não sabemos quando o ACARS foi desligado depois disso", afirmou Yahy. "Ele deveria ter transmitido algo 30 minutos depois, mas nada chegou."

No sábado, o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, havia dito que os esses equipamentos haviam sido intencionalmente desligados.

Razak ainda acrescentou que evidências colhidas a partir de informações de satélite e radares mostram que o avião mudou seu curso em direção à Ásia Central ou mesmo ao Oceano Índico e que poderia ter voado por mais sete horas depois disso.

Corredores aéreos

As buscas foram estendidas para dois grandes corredores aéreos o chamado corredor norte, que se estende da fronteira entre o Casaquistão e o Turcomenistão até o norte da Tailândia, e o chamado corredor sul, que se alonga da Indonésia até o Oceano Índico. Atualmente, 26 países ajudam nestes esforços.

Segundo o ministro da Defesa da Malásia, Hishamuddin Hussein, o país fez um apelo a outras nações por mais dados de satélite e de radar para tentar localizar a aeronave. São eles: Cazaquistão, Uzbequistão, Quirquistão, Turcomenistão, Paquistão, Bangladesh, Índia, China, Mianmar, Laos, Vietnã, Tailândia, Indonésia, Austrália e França.

Nesta segunda-feira, a governo da Austrália afirmou que vai liderar as buscas no corredor sul, como é conhecida a região nas imediações do Oceano Índico, uma das possíveis rotas que o avião teria percorrido após o último contato com a torre de controle.

Piloto e co-piloto

No sábado, foram revistadas as casas do piloto e do copiloto do voo MH370, Zaharie Shah e Fariq Hamid, de 53 e 27 anos, respectivamente.

As autoridades do país também checaram o passado de outros membros da tripulação e passageiros a bordo da aeronave.

Um sofisticado sistema de simulação de voo que pertencia ao piloto foi apreendido pelas autoridades em sua residência.

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